Imagem ilustrativa da imagem Apelo de um cidadão venezuelano



O anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: "Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; lá você vai permanecer até que eu diga" (Mateus 2:13). Seja este um episódio histórico ou apenas uma narrativa teológica do evangelista (Mateus), o que me chama a atenção aqui é considerar que Jesus, Nosso Senhor, desde o nascimento é identificado com a história do peregrino, emigrante e refugiado Israel.

Assim desejo começar a escrever a carta que nunca imaginei escrever em quase 40 anos. Uma carta para apelar a todos aqueles para quem a solidariedade é um grande tesouro que os ditadores não podem roubar. Muito menos pensei ter de escrever uma carta cuja finalidade é pedir ajuda. Mas é isso, queridos leitores: sou um pai que se vê forçado a emigrar e que precisa da sua ajuda.

Meu nome é Jean Carlos Moncada Perez. Eu sou venezuelano, nasci em 13 de outubro de 1977, filho de pai e mãe nascidos na Venezuela, mas tenho avós paternos imigrantes. Estou casado com Maria Gladys Ferreira Gonçalves (filha de imigrantes), sou pai de uma menina bonita de quase três anos chamada Avril e de um bebê crescendo no útero da mãe. Ele tem apenas 13 semanas de vida neste momento em que escrevo e, embora não saibamos qual seu sexo, temos certeza de que complementa quase perfeitamente a nossa bela família. Uma dessas muitas famílias venezuelanas que deseja profunda e genuinamente empreender rumo ao futuro e à liberdade, à segurança e ao bem-estar pessoal e familiar. Direitos esses que foram reduzidos na terra do nosso nascimento por uma cúpula criminosa envolta em uma espécie de ideologia comunista malandra, que "governa" esta bela terra como os líderes de prisão, em meio ao caos, com anarquia, impunidade, injustiça, corrupção, depravação, feitiçaria, crime e o mal mais absoluto que pode praticar um ser humano. Um mal sustentado pelo poder do dinheiro e das armas.

Nós sentimos que a Venezuela chegou a um ponto incontornável, como aconteceu na antiga União Soviética ou na Cuba de Fidel. Lá cidadãos tiveram pouca chance de escapar sem arriscar as próprias vidas. Na Venezuela, ainda há muita chance de escapar sem saltar muros, mergulhar selvas ou saltar para o mar. E a minha família precisa para aproveitar a oportunidade de sair daqui enquanto é tempo.

O que nos obriga a tomar esta decisão difícil?

Certamente você, caro leitor, já ouviu falar da Venezuela. Talvez tenha visto imagens na mídia, ouvido relatos ou provavelmente saiba sobre as dificuldades de alguém neste país. Tudo o que você puder pensar sobre o que anda acontecendo aqui de errado não chega a um décimo da realidade.

Talvez você tenha ouvido que a Venezuela é um país rico, mas sinceramente sou daqueles que pensam que um país não é rico apenas por ter recursos no subsolo ou fora dele. Um país é rico por sua capacidade de produzir riqueza através do esforço combinado das pessoas. E é exatamente isso o que estão tentando destruir desesperadamente os ideólogos deste modelo comunista nefasto chamado de "socialismo para o século 21". Eles querem destruir a democracia para implementar um modelo totalitário criminoso. Uma versão horrível do pior que pode representar o comunismo realizado por um grupo de seres do mal.

Somos forçados a sair porque os que "governam" o nosso país procuram a submissão total e absoluta da vontade de um povo, para assim perpetrado no poder anular o direito de viver em liberdade e democracia plena.

Para levar a cabo os seus planos nefastos não eles deixaram de garantir os serviços de saúde gratuitos à população que lhes permitem crescer saudavelmente. Eles levaram à escassez de alimentos, medicamentos e até mesmo leite e fraldas para crianças. Eles impediram que muitos dos seus jovens possam obter empregos adequados para ter sucesso na vida e ter um futuro melhor, forçando-os a emigrar. Migração que quase completa dois milhões de pessoas nos últimos três anos, das quais a maioria são jovens.

Somos forçados a sair porque quem "governa" permitiu e, não tenho a menor dúvida em dizer, promoveu a redução de mais de 80% no investimento em educação de qualidade, especialmente nos últimos quatro anos. Investimentos que infelizmente foram redirecionados para comprar armas.

Somos forçados a sair porque quem "governa" o nosso país nao tem impedido que a cada ano morram mais de 25 mil pessoas assassinadas na Venezuela. Isto faz-nos viver em um total estado de desamparo perante a violência, o crime, a corrupção, o desrespeito, a anarquia,o caos. Este governo tem feito tudo para nos fazer esquecer os nossos direitos e, consequentemente, ninguém cumpre suas funções. Eu poderia continuar, caro leitor, listando centenas de razões pelas quais é imperativo deixar este belo país, mas levaria horas e horas para continuar a escrever detalhes tristes de como as pessoas vivem na Venezuela.

E você se pergunta, caro leitor, porque neste belo país tudo isso está acontecendo?

A resposta está num conceito que eu tenho querido definir como "Submissão de Vontades". Uma das pedras angulares do modelo comunista que têm se implementado lentamente no espírito dos venezuelanos, por aqueles que são os responsáveis por dirigir nossos destinos como uma nação e dos quais queremos escapar.

A questão é mais ou menos assim:

Na Venezuela de hoje, onde o controle dos cidadãos é mais sofisticado do que em qualquer outro momento da nossa história, é importante fazer diferença entre o "mau governo" do "governo do mal". O problema com o "governo" atual não é a estrutura de administração e do poder político, é um sistema complexo que é implantado em todas as áreas da vida, em nível social, cultural, económico e até mesmo espiritual, porque seu objetivo é o controle absoluto do homem, até que se anule a sua identidade, sua liberdade, sua vontade própria.

Isso se desenvolve a partir da máquina ideológica de um único partido que adora o "líder supremo", o falso Messias, que promete um mundo melhor, a salvação, o "homem novo", a terra prometida sob um tipo de cultura. Esse sistema usa inclusive imagens simbólicas como a do rebanho em sua apresentação.

Na Venezuela, tenta-se implementar ideologias totalitárias que funcionam como uma seita destrutiva. Em outras palavras, um sistema que impede a identidade do indivíduo: suas crenças, seu comportamento, seus pensamentos e suas emoções, todo o padrão formado por família, educação, amizades. O indivíduo é substituído por uma identidade artificial de submissão, regida pelo mecanismo de controle social.

Finalmente, eu poderia continuar a mencionar outros processos realizados por este sistema totalitário, mas este não é o propósito desta carta. Eu só queria dar uma nuance geral para o que acontece politicamente no nosso país e que nos levou a um estado de degradação quase total.

Nossa vontade de ficar neste país foi superada pelos acontecimentos. Eu amo minha família, minha esposa, minha filha, a criança que está a caminho. A situação que fizeram da pátria que amamos nos leva à a decisão mais difícil de nossas vidas. É por isso que eu quero apelar para sua ajuda. Eu gostaria de apelar para todos aqueles que estão sensibilizados com a nossa falta de liberdade.

Eu decidi fazer este Crowdfunding porque tudo que eu ganho é para pagar o básico (alimentação, saúde, habitação e educação de nossa filha). Só para se ter uma ideia, o salário básico é de cerca de US$ 15 por mês e a inflação é de aproximadamente 800%, o valor de um dólar no mercado negro representa neste momento o 10% do salaraio mínimo. Eu me viro para ganhar cerca de US $ 150 por mês para que possa sustentar minha família com o básico. Mas seria totalmente impossível poupar para ir para outro país e viver como qualquer pessoa normal que gosta de trabalhar para cuidar dos seus.

Serei eternamente grato a todos os que fizerem uma contribuição de qualquer valor e prometo compartilhar com cada um individualmente quais são os planos pós-migração, que certamente vão só precisar da ajuda de Deus. Já colhemos muito sucesso em nosso país, mas fomos infelizmente esmagados pela máquina do governo comunista. Por isso, para que possamos voltar para colhê-las, temos de ir para fora das nossas fronteiras.

Finalmente, quero dizer: quando tudo o que é material é perdido, a riqueza espiritual é mais evidente. Assim, com a força que vem de Deus, com o amor que eu vivo em família, agradeço por estar vivo. Agradeço antecipadamente a todos, sabendo que a solidariedade é um outro tesouro que os ditadores não podem nos tirar, assim como não roubam os nossos sonhos.

Vamos adiante, em busca de liberdade!

Para contribuir com o Crowdfunding acesse aqui.

Imagem ilustrativa da imagem Apelo de um cidadão venezuelano
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