Imagem ilustrativa da imagem Amar Londrina
| Foto: Sergio Ranalli/6-10-2015


Às vezes acordo no meio da noite, vou até a varanda e fico olhando a cidade adormecida, ouvindo o silêncio da Londrina que sonha. Não sei se você já percebeu, mas quase todos os meus textos, no fundo, são declarações de amor a Londrina.

E foi durante uma dessas minhas contemplações noturnas que eu vim a saber: sempre vivi em Londrina, mesmo antes de conhecê-la. Quando eu era moleque e colecionava figurinhas do Campeonato Brasileiro, um dos times que mais me chamavam a atenção era aquele estrelado por Carlos Alberto Garcia, ele que hoje, no aniversário da cidade, está reunido com seus ex-companheiros de clube e de glória numa festa à beira do lago. Estava escrito por Deus que um dia eu conheceria a cidade que tem uma terra cor de sangue, um céu cor de eternidade, além de um lago que reflete o céu e abençoa a terra.

Se me pedissem para definir Londrina em poucas palavras, eu diria: — É a terra da consolação. Não sei se vocês sabem, mas a cidade deveria ter sido fundada em 8 de dezembro, Festa da Imaculada Conceição. Houve uma chuva e a cerimônia teve de ser adiada por 48 horas. Mas a Mãe de Misericórdia não se esqueceu de nós, e continua olhando pela cidade até hoje. Ao contrário de Maria, temos a mácula de muitos pecados, mas graças ao Filho dela também temos a esperança inesgotável do perdão.

O amor por esta cidade não é algo que se sente, é algo que se é. Alguns diriam que se trata de uma cidade louca. Sim, é. Louca e quase delirante. Só a loucura explica tudo que aconteceu em apenas 82 anos. Mas a loucura dos homens, por vezes, é a sabedoria de Deus.

Londrina é a filha de Londres. E Londres é a filha de Londinium, povoado construído pelos romanos por volta do ano 43 depois de Cristo. Dizem que as muralhas de Londinium foram erguidas onde hoje se situa na chamada City, centro financeiro de Londres. Em 1929, Lord Lovat encontrou casualmente numa rua da City um jovem chamado Arthur Thomas e o convidou para um projeto de colonização na América do Sul. Sim, Londrina começou a nascer em Londinium.

Londrina é a minha pátria. Acho que sou londrinense antes mesmo de ser brasileiro. Não são apenas meus pés que estão manchados de vermelho; a minha alma carrega o azul do céu e o encarnado da terra e o espelho do lago. Do you speak londrinês? Eu falo: reparem na minha pronúncia da palavra "porta", que é como se tivesse três erres e não apenas um. Mesmo se eu tentasse, não conseguiria fingir que sou de outro lugar.

Por isso este londrinense de coração faz um pedido aos londrinenses de certidão: deixem-me amar esta cidade! Deixem-me pensar que tantos lugares amados — a República da Humaitá, o Relojão, a Biblioteca, a Catedral, o Santuário, a UEL, a Folha, o Ouro Verde, a Toca do Bode, a Galeria Vila Rica, o HU, o Hotel dos Viajantes — podem de repente ganhar a vida que é a vida de nosso coração! Deixem-me amar a terra em que nasceu meu filho!

Pois, se é necessário nascer de novo, como Jesus disse a Nicodemos, que eu nasça para sempre em Londrina.

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