Millôr Fernandes definia o comunismo como um alfaiate que, quando a roupa não fica bem, faz ajustes no cliente. A sanguinária fórmula se repete sempre que tentam implantar o regime socialista em algum país. Com a Venezuela, não foi diferente.

Tenho vários amigos cujas famílias vivem na Venezuela. Todos eles estão preocupadíssimos. Nos últimos dias, a situação no país, que já era grave, tornou-se desesperadora. Pais, irmãos e filhos relatam cenas dantescas nas ruas de Caracas e outras cidades. Não apenas relatam: enviam fotos e vídeos sobre o caos instaurado pela ditadura chavista. As redes sociais se tornaram a única forma de comunicar a verdade sobre o martírio do povo venezuelano. Nossos irmãos pedem socorro.

O Brasil tem uma responsabilidade muito grande na situação da Venezuela. Além do apoio político ao regime de Nicolás Maduro, vergonhosamente concedido por mandatários esquerdistas brasileiros ao longo dos últimos anos, a ditadura bolivariana recebeu dinheiro de nosso país, através de esquemas que estão sendo revelados pela Operação Lava Jato.

Imagem ilustrativa da imagem Ai de ti, Venezuela
| Foto: Shutterstock



A Venezuela é hoje o que seria o Brasil sem a Lava Jato. O plano, montado por Lula, Fidel Castro e seus comparsas do Foro de S. Paulo, era criar a Pátria Grande, "a América Latina toda socialista" de que falam os slogans da militância. Os companheiros buscavam recuperar, no continente latino-americano, o poder ditatorial que os socialistas haviam perdido no Leste Europeu após a queda do Muro de Berlim. Quase conseguiram. Quase: não contavam com a revelação e o desmantelamento do centro financiador do esquema — que era precisamente o Brasil.

Mas os companheiros não desistiram. Se não desistiram depois de Stálin e Mao Tsé-tung, por que desistiriam agora? Na Venezuela, há aquilo tudo que os regimes socialistas sempre souberam produzir muito bem: fome, escassez, violência, repressão e ódio. O povo está há 15 dias nas ruas. Mas o ditador Maduro dispõe de uma arma perigosíssima para usar contra a população: a sombria Guarda Nacional Bolivariana, uma espécie de SS chavista. Como mostram vários vídeos aterradores, os milicianos estão a postos para um banho de sangue inominável. E contam para isso com o auxílio do igualmente famigerado serviço secreto cubano, o G2.

Na Quarta-Feira Santa, durante a missa na Basílica Santa Teresa de Caracas, grupos chavistas entraram na igreja e tumultuaram a cerimônia, presidida pelo cardeal Jorge Urosa Savino, conhecido por suas críticas ao governo de Maduro. A provocação, que terminou em pancadaria, tem um simbolismo maior por haver ocorrido antes da procissão do Nazareno de San Pablo, uma das mais importantes celebrações católicas da Venezuela. Maduro e seus esbirros não respeitam mais nada nem ninguém.

Ai de ti, Venezuela, se não te livrares do alfaiate socialista. Ai de ti, Brasil, se não ajudares a tua pátria irmã.

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