Imagem ilustrativa da imagem A Virgem Negra e o Ano Novo
| Foto: Shutterstock


Ainda que eu tivesse 300 vidas, não esqueceria o amor que sinto por ela. Mesmo com as mudanças de existência para existência, de cultura para cultura, de idioma para idioma, de tempo para tempo, de destino para destino, de dor para dor, de mistério para mistério, eu não apagaria jamais da memória a singularidade de Nossa Senhora. De várias maneiras, este sentimento é mais integrante de mim do que eu próprio.

É por isso que ela possui tantos nomes e um só nome. Bendita entre as criaturas, reflete algo da essência do Ser, que reúne três Pessoas em Um. Deus não é uma solidão — e ela, filha e mãe de Deus, não nos deixa sozinhos. Não ficamos sós sequer por um instante; Deus está conosco e Maria, vigilante.

Em nosso país, ela tem a pele negra. Em outubro de 1717, três pescadores resolveram tentar a sorte no Rio Paraíba, em São Paulo. Seus nomes eram Domingos, Filipe e João. Domingos é o nome do santo que popularizou o Rosário no mundo inteiro. Filipe e João são nomes de apóstolos de Jesus, sendo que este último ouviu do próprio Cristo a frase célebre aos pés da cruz: "Eis aí a Tua Mãe".

Primeiro os pescadores lançaram as redes sem muita esperança, pois não era tempo de pesca. Veio uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, sem a cabeça. Na segunda tentativa, veio a cabeça da santa. Quando lançaram a rede pela terceira vez, pegaram tantos peixes que quase foi impossível transportá-los. A partir desse singelo acontecimento na vida de três simples trabalhadores, iniciou-se uma das mais populares devoções de Nossa Senhora em todo o mundo.

Poucos atentam para o fato de que a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida tem aos pés uma Lua e uma serpente pisoteada. A Lua, cuja luz na verdade vem do Sol, é um símbolo de Maria, que extrai sua força consoladora de Jesus Cristo; ela nada é sem Ele. A serpente pisoteada pela santa representa a vitória definitiva sobre o mal.

A Polônia, país que sempre sofreu com guerra e dominações externas, mas nunca perdeu a fé católica, também tem uma Virgem Negra, conhecida como Nossa Senhora de Czestochowa. A antiquíssima imagem de Maria com o Menino Jesus, que a lenda diz ter pintada por São Lucas, encontra-se no Santuário de Jasna Gora e mostra uma virgem de pele escura, marcada por golpes de espada que sofreu ao longo do tempo. A imagem de Nossa Senhora Aparecida também sofreu atentados — o pior deles, em 1978, quando foi quebrada em mais de 200 fragmentos e restaurada por uma equipe do Museu de Arte de São Paulo.

Sob a proteção da Nossa Senhora de Czestochowa, a Polônia conseguiu vencer invasores tártaros, islâmicos, nazistas e comunistas. Que esse exemplo do outro lado do mundo nos inspire a proteger o Brasil daqueles que pretendem dividi-lo, escravizá-lo e dominá-lo. Afinal, a Rainha da Polônia e a Rainha do Brasil são a mesma pessoa: a Virgem Negra. A ela eu me dirijo neste 1º de janeiro, que também é Dia de Nossa Senhora, suplicando paz e consolação para todos vocês.

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