Há duas frases erroneamente atribuídas a Lênin e Stálin que frequentemente são repetidas em debates nas redes sociais.

Lênin teria dito:
— Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é.

Stálin teria dito:
— Não se faz uma omelete sem quebrar os ovos.

Lamento informar que Lênin não era burro para dizer a primeira frase. Se você quer vencer um inimigo — e Lênin é um inimigo terrível —, não comece por subestimar a inteligência dele.

A segunda frase também não é de Stálin. É de uma pessoa infinitamente mais pura e íntegra, além de talentosa: a escritora Nadezhda Mandelstam, viúva do poeta Ossip Mandelstam. Depois que o marido foi assassinado por Stálin, Nadezhda dedicou-se a decorar — sim, decorar — os poemas de Ossip para que eles fossem passados à posteridade e escrever suas memórias. A frase sobre os ovos quebrados para fazer a omelete — uma brilhante imagem do processo revolucionário — é obra dessa heroína, não do tirano comunista.

Embora Lênin não tenha dito a frase sobre acusar os adversários, é como se ele tivesse dito, porque os comunistas, a começar por ele, sempre fizeram isso: roubar e acusar os inimigos de ladrões, mentir e acusar os inimigos de mentirosos, matar e acusar os inimigos de assassinos. Só não chamo os comunistas de fascistas porque este não é um termo tecnicamente adequado. Chamá-los de comunistas deveria ser uma ofensa suficiente.

Imagem ilustrativa da imagem A serpente do ovo
| Foto: Shutterstock



Stálin, no entanto, também não era burro. O tirano que ceifou milhões de vidas era um monstro, não há dúvida, mas um monstro dotado de poderosa inteligência. Conquistou tudo o que quis e ainda teve o privilégio de morrer na cama, embora cercado por médicos e capangas trêmulos de medo. Dele é uma frase que ajuda a explicar o nosso tempo como poucas:
— A morte de uma pessoa é uma tragédia. A de milhões, uma estatística.

O ovo não me choca mais (como diria um poeta). Já vi muita coisa nesse mundo, e sei que os seguidores de Lênin e Stálin, voluntários ou não, continuarão quebrando ovos enquanto não podem quebrar crânios, como fizeram seus predecessores. O que eles querem mesmo é chocar o ovo da serpente, para que ela venha a nos picar assim que estiver livre para fazer o que bem entende.

O ovo da serpente é transparente. A víbora totalitária pode ser vista no aparelhamento da educação, na mídia lacradora, nas declarações de zilionários revolucionários, nos ataques diários à religião, à família, à cultura e à liberdade. A única criatura capaz de esmagar essa serpente é a mulher vestida de sol, que aparece no Livro do Apocalipse, grávida e coroada de doze estrelas. Ou pedimos que Maria nos ajude, ou ficaremos à mercê da profecia de Trotsky (sim, ele escreveu isto):

— Em um país cujo único empregador é o Estado, oposição significa morte lenta por inanição. O velho princípio "Quem não trabalha não come" foi substituído por outro: "Quem não obedece não come".

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