A salvação da Universidade
Londrina criou a UEL. Só a união com a cidade poderá salvar a instituição
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sexta-feira, 05 de julho de 2019
Londrina criou a UEL. Só a união com a cidade poderá salvar a instituição

Não tenha medo, professor. Esses caras que ficam tocando tambor, enquanto você tenta dar a sua aula, não permanecerão aí para sempre. Você está há quatro anos sem reajuste, mas sabe que a situação da maioria das pessoas é muito pior. O desempregado, o pequeno empresário, o trabalhador informal — milhões e milhões de brasileiros não tiveram reajuste desde o começo da crise. Mas é pior do que isso: a cada dia que passa, eles estão perdendo mais e mais. Você sabe que essas pessoas — as vítimas da crise que o PT criou, e da qual estamos tentando desesperadamente sair — são as mesmas que financiam, com o suor de seu rosto, o funcionamento da Universidade. Eles são os verdadeiros donos da UEL, não os tocadores de tambor.
Professor, você tem consciência de que a Universidade só existe porque milhões de irmãos brasileiros, desta e de outras gerações, trabalharam duro para que o campus fosse construído. Você não é egoísta. Você possui um sentido de sacrifício, um espírito de missão. Você sabe que a Universidade precisa criar outras formas de financiamento, e não ficar eternamente dependente das verbas do Estado. Por outro lado, você sabe que o Estado precisa passar por profundas reformas — inclusive a da previdência — para que o País não caia definitivamente no abismo socialista.
Você sabe, professor, que esta Universidade só existe porque a comunidade se uniu, em um momento decisivo da história de Londrina. Você sabe que a UEL não pode dar as costas a Londrina: seria uma traição inominável. Você sabe que os 80,2% dos londrinenses que votaram em Bolsonaro não merecem ser chamados de fascistas. Você sabe que equiparar a situação de funcionários humildes, que ganham pouco mais do que o salário mínimo, com a situação de professores e comissionados que ganham altos salários — basta consultar o Portal da Transparência — é de uma desonestidade intelectual sem tamanho.
Nos últimos anos, foram feitas muitas greves. E o resultado foi esse que se viu: nenhum. Só desgaste, ranger de dentes, sofrimento. Não é possível que um centro do conhecimento seja incapaz de produzir uma forma mais eficaz de reivindicação. Está claro para todo mundo que o grevismo, o assembleísmo e o extremismo são cânceres no organismo da Universidade. Sobretudo neste momento histórico que o país atravessa — no momento em todos sangramos (e desesperadamente tentamos estancar) as feridas que o PT fez em nosso país.
A peroba, símbolo da UEL, só sobrevive se não estiver sozinha; precisa estar rodeada de vegetação. A mesma relação ocorre entre a Universidade e Londrina. Mas, sobre isso, eu tenho uma boa notícia, professor: você não está só. Junte-se ao movimento Docentes pela Liberdade, que foi nacionalmente lançado em Londrina na última quarta-feira. Com coragem e união, nós vamos lutar em defesa da Universidade criada por nossos pais e sonhada por nossos filhos. Da mesma forma que estamos reconstruindo o País, vamos reconstruir a UEL





