Imagem ilustrativa da imagem A prisão do magnata
| Foto: Evaristo Sá/AFP



Juro que gostaria de escrever menos sobre o PT e o estrago que os anos Lula-Dilma fizeram no País, mas é simplesmente impossível. A cada manhã somos acordados com uma nova bomba da Operação Lava Jato. A prisão dos líderes petistas fornece-nos a explicação perfeita para a situação caótica em que se encontram a economia, a cultura e as instituições brasileiras. Foi tudo feito de caso pensado, conforme um plano de meticuloso de destruição do País para colocar-nos a todos de joelhos diante de um grupo de poder. Felizmente, Deus iluminou o juiz Sergio Moro e a equipe da Lava Jato para impedir que a nação fosse entregue definitivamente a um bando de psicopatas.

Antonio Palocci, não sei se vocês lembram, era o queridinho da mídia e dos "formadores de opinião" em 2002, quando Lula finalmente venceu a sua primeira eleição presidencial, após três tentativas frustradas. O ex-prefeito de Ribeirão Preto, que viria a se tornar ministro da Fazenda, foi o coordenador da campanha de Lula e o principal avalista da "Carta ao Povo Brasileiro", documento com o qual o PT tentou (e conseguiu) tranquilizar o eleitorado, especialmente o de classe média, em relação à estabilidade econômica e ao cumprimento de contratos.

Poucos sabem, mas aquela não foi a única carta que o PT escreveu naquele ano decisivo. Para a militância do partido, a cúpula fez a "Carta de Olinda", em que se reafirmavam os compromissos revolucionários, a política de dominação hegemônica da sociedade e as velhas bandeiras esquerdistas. Esse jogo de duas caras está brilhantemente descrito no livro "A Grande Mentira", do cientista político Ricardo Vélez-Rodríguez, um dos maiores nomes do pensamento liberal latino-americano, que mora em Londrina e pode explicar pessoalmente essa história a qualquer um de nós.

Palocci, como tantos outros magnatas do PT, iniciou sua carreira política na militância trotskista. De Trotsky, ele foi para Gramsci. De Gramsci, ele foi para Odebrecht. Da Odebrecht, ele foi para Moro.

Eu sempre digo: o PT não "traiu seus ideais". O plano dos caras era esse desde o princípio. Muitos inocentes e idiotas úteis, inclusive eu, acreditaram na sinceridade petista durante algum tempo, mas é preciso entender que a intenção era a pior desde a fundação do partido. De todos os personagens mencionados no parágrafo anterior, eles só não esperavam encontrar Sergio Moro. O juiz da Lava Jato foi o herói inesperado desse filme que era para ser de terror e acabou se tornando policial.

Palocci é preso pouco antes de se completarem 15 anos da morte de Celso Daniel. Não sei se vocês lembram, mas o prefeito de Santo André, torturado e depois assassinado com 13 tiros, era o coordenador da campanha de Lula à Presidência. Seu nome era cotado para o Ministério da Fazenda, caso Lula vencesse. Com a morte de Celso Daniel, Palocci acabou ocupando o espaço. Obviamente não estou dizendo que Palocci tenha qualquer relação com a morte de seu companheiro de partido. Creio mesmo que tudo foi um acaso, uma dessas ironias da história de que Isaac Deutscher falava com tanto brilhantismo. Por sinal, acho que Palocci já leu Deutscher. Se não o fez, espero que tenha tempo suficiente para colocar as leituras em dia lá em Curitiba.

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