Imagem ilustrativa da imagem A missão da Sercomtel
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A cerimônia de posse do novo presidente da Sercomtel, Luiz Carlos Adati, na última terça-feira, foi marcada por uma série de momentos emocionantes. Diante de um público heterogêneo, onde estava representada toda a sociedade civil londrinense, inclusive muitos que não apoiaram a campanha do novo prefeito, Adati falou sobre seu plano revolucionário para a empresa-símbolo de nossa cidade. A meu ver, o ponto alto da cerimônia foi a bênção ecumênica, quando o Reverendo Messias Anacleto Rosa citou um personagem fundamental da história contemporânea: o médico, escritor, teólogo, ministro evangélico, músico e benemérito Albert Schweitzer (1875-1965), ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1952.

Aos 30 anos de idade, Schweitzer era um dos mais importantes intérpretes e conhecedores da obra musical de Johann Sebastian Bach no continente europeu. Celebradíssimo como músico, era um homem rico e famoso, destinado a uma vida de merecido conforto. No entanto, faltava-lhe alguma coisa. No dia 13 de outubro de 1905, ele escreveu uma carta aos amigos e parentes dizendo que estava largando tudo para estudar Medicina e construir um hospital para atender os pobres na selva africana.

Muitos acharam que Schweitzer havia enlouquecido. Quando lhe perguntavam os motivos da decisão, Albert respondia: "Porque Ele quis". Era a vontade de Deus — e Schweitzer soube interpretá-la da mesma forma que fez com os concertos de Bach e com os poemas de Goethe.

Formado em Medicina, Schweitzer mudou-se em 1913 com a esposa Helene para o Gabão, país da África equatorial, onde construiu com recursos próprios um hospital para atender as vítimas da fome e das doenças endêmicas. O "Doutor Branco", como ficou conhecido entre os nativos, salvou milhares de vidas na selva. Nas horas vagas, tocava Bach no órgão instalado em sua cabana. Morreu aos 90 anos, na África, amado e admirado por todos que o conheceram.

O que leva um homem rico e realizado a dedicar-se a uma missão que parece impossível? Luiz Carlos Adati certamente possui as respostas. Como não creio em coincidências, penso que a citação de Albert Schweitzer tem um profundo significado para a gestão que se inicia na Sercomtel.

Também os pioneiros de Londrina, nos anos 30, tinham diante de si uma tarefa que parecia irrealizável: construir uma civilização nos confins da floresta. Penso especialmente nas dificuldades enfrentadas pelos imigrantes japoneses, que chegaram a um mundo completamente desconhecido, repleto de perigos e onde se falava uma língua incompreensível. Como sofreram esses homens e mulheres! Que imensos obstáculos conseguiram superar! Adati é um filho desses desafios.

De todos os defeitos humanos, Albert Schweitzer possuía o mais encantador: ele era incapaz de mentir a si mesmo. "Defeito" que todos nós precisamos imitar, se quisermos salvar a nossa maior empresa e colocar definitivamente Londrina nos rumos do progresso, da alegria e dos valores eternos.

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