Imagem ilustrativa da imagem A liturgia maluca da esquerda
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Um dos meus poucos orgulhos na vida é ser amigo do cientista político Ricardo Vélez-Rodríguez. Nascido na Colômbia, Ricardo mora em Londrina e é um dos mais importantes autores do liberalismo clássico na América Latina. A seguir, ele responde a três questões sobre a situação política do continente:

Como o sr. avalia a situação na Venezuela após a morte de Óscar Pérez?
A Venezuela continuará rumo ao poder total dos chavistas, ao redor de Maduro. Mas recordemos que a política de segurança interna da Venezuela está sendo, desde os tempos de Chávez, decidida em Havana. Para lá foi transferido o Ministério de Segurança Interna. Hoje Caracas não é mais do que o subúrbio dos interesses estratégicos da ditadura cubana. É um caso típico de alienação da soberania nacional.

O que representa a nova investida de Evo Morales contra as igrejas cristãs e a oposição boliviana?
Lembremos que a nova onda de populismos latino-americanos tem um enquadramento messiânico. Isso ficou claro quando Chávez, nos últimos cinco anos do seu mais novo mandato, apontou para um fato significativo na ideologia revolucionária venezuelana: ele próprio era o Messias! Num discurso de mais de cinco horas de duração em Caracas, o falecido líder deixou isso claro. Trata-se de um messianismo no contexto de uma grotesca escatologia de vodu caribenho em que tem lugar o trabalho dos "paliteros", ou seja, dos chefes de culto dessa derivação do paganismo antilhano. Lembremos que, para dar conteúdo litúrgico a essa maluca ideia (Chávez novo Messias), os "paliteros, na alta madrugada, desenterraram o cadáver de Bolívar, já mumificado, e com ele fizeram grotesca cerimônia para passar o espírito do Libertador para o novo Messias. Evo não faz por menos. Ele se situa no contexto do messianismo do altiplano boliviano como encarnação do "Pacha-Mama", o grande líder espiritual da Montanha Misteriosa... Haja liturgia maluca! Já os guerrilheiros mexicanos de Chiapas pretenderam serem liderados pelo Tata Samuel, o bispo Samuel Ruiz da região indígena ao sul do México, de onde surgiu a nova guerrilha, cujo porta-voz era o tal de "comandante Marcos" que ocultava o rosto com um lenço à maneira do Zorro....Nihil novum sub sole!

Como os fatos anteriores se relacionam com o julgamento de Lula?
Lulinha (ou melhor, Lularápio) apareceu, nos últimos meses, vestindo um colete de manga-comprida semelhante ao que Evo Morales usa nas suas viagens ao redor do mundo, com duas listrinhas horizontais com as cores do arco íris, na altura do peito.... Observaram? Parece clara a alusão a um "Pacha-Mama" que, de qualquer forma, é desconhecido pela liturgia do populismo brasileiro. Mas qualquer esforço subliminar, em época de condenações pelos Tribunais Superiores Brasileiros, não deixa de ter utilidade.

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