Imagem ilustrativa da imagem A inflação do IPTU
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Agora vou confessar uma coisa a vocês sete: não sou rico. Moro num apartamento de classe média e trabalho muito, a ponto de meu filho dizer a um taxista em São Paulo: "O papai trabalha 365 dias por ano. Aonde ele vai, leva junto o computador. Acho que o computador é o segundo filho dele".

Por isso, tive uma sensação de desgosto e injustiça quando abri o meu talão do IPTU deste ano e constatei que ele foi majorado em 178%. Só existe um mundo em que o preço das coisas sobe mais de 100% — e esse mundo se chama inflação. Numa época em que as pessoas lutam para sair do pesadelo recessivo criado pela esquerda, esse fantasma voltou a assombrar minha cidade. Sim, o IPTU não foi aumentado — ele foi inflacionado. É desalentador.

Se o preço de alguma coisa — qualquer coisa — sobe 178%, eu tenho a opção de não comprá-la mais. Se um imposto sobe 178%, eu não posso deixar de pagá-lo sem me tornar um inadimplente ou entrar numa desgastante batalha judicial.

Karl Marx e Friedrich Engels conheciam o potencial destrutivo dos impostos. Tanto é que no "Manifesto Comunista", publicado há exatos 170 anos, incluem o "imposto fortemente progressivo" entre as dez medidas iniciais para destruir a sociedade capitalista e conduzir ao socialismo universal. Marx e Engels tinham plena consciência de que a tributação pesada é uma das armas para desmantelar a civilização.

Um fato simples que os políticos não entendem, ou se recusam a entender, é o caráter essencialmente confiscatório dos impostos excessivos. O dinheiro drenado pelo governo deixa de circular na sociedade, provocando toda sorte de carências ou sofrimentos que depois o governo utiliza como pretexto para... cobrar mais impostos! E, se alguém reclamar, voltam com a velha conversa demagógica dos "ricos contra os pobres". Ora, rico é o governo, nós somos pobres!

Assim, aos poucos, a sociedade se torna uma servidora do Estado, e não o contrário, como deveria ser. O saudoso professor José Monir Nasser definia esse processo de maneira brilhante numa aula de literatura há poucos anos: "No fundo, o que aconteceu no mundo foi uma reciclagem do processo socialista, e agora o Estado cresce assustadoramente, cada vez com maiores parcelas do PIB. Crescendo, crescendo, crescendo. A nossa carga tributária vai chegar a 50%, provavelmente. A ideia é um Estado voraz, que põe a mão no nosso bolso com a nossa concordância e alegria, porque afinal trata-se de um Estado que está prometendo criar o mundo onde moram as pessoas do ‘Admirável Mundo Novo’, e nós, todos felizes e otariamente, como trouxas, achando isso muito bacana, concordamos alegremente, e ensinamos isso às nossas crianças como sendo uma coisa boa".

Pois não é apenas o IPTU do zé-mané que aumenta 178%, não. No mesmo processo, podem aumentar 178% os nossos sacrifícios e agruras, as nossas tensões e perigos, as nossas desilusões e revoltas. Só não aumentarão em 178% os nossos ganhos, disso vocês podem ter certeza.

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