A greve é grave

Alguns amigos dizem que não é preciso dar atenção à greve dos bancários, que já dura um mês, uma das maiores da história. Argumentam que não serão prejudicados com a greve, já que podem fazer suas operações bancárias pela internet ou nos caixas eletrônicos. Afirmam que a paralisação só serve para reforçar a obsolescência do atendimento bancário pessoal, e que os grevistas de hoje serão amanhã facilmente substituídos por máquinas. Por fim, salientam que a greve está colocando o conjunto da população contra os bancários e ressaltando a vileza dos sindicatos e da CUT.
Enganam-se.
Não devemos fechar os olhos à greve. Primeiro, porque a greve dos bancários tem um efeito bastante parecido com o da inflação: prejudica os mais velhos e os mais pobres. Aqueles que não estão familiarizados com operações eletrônicas, os sem-cartão, os sem-internet. E eles existem, acredite. Existem e sofrem.
Mas o principal motivo para combater a greve dos bancários é a sua natureza evidentemente política. Já ficou bem claro que o problema não é o salário: é o PT ter perdido o poder sobre a máquina estatal. Com o resultado das eleições, claramente uma derrota da esquerda em todo o País, com a solitária exceção de um Freixo que será provavelmente humilhado no segundo turno carioca, os militantes do PT e de suas linhas auxiliares estão desesperados. E o combate contra um adversário em desespero é sempre perigoso.
A esquerda está promovendo ataques frontais em todos os setores da sociedade.
A esquerda está utilizando as crianças e jovens para atacar qualquer possibilidade de reforma educacional. Seu filho, caro leitor, pode ser uma vítima.
A esquerda está promovendo arruaças e quebra-quebras em todas as oportunidades.
A esquerda está mobilizando suas tropas nas universidades, na mídia, nas escolas, nas igrejas, nas entidades culturais. Dos jantares chiques às reuniões de criminosos, nunca falta um militante para gritar o seu "Fora Temer".
Hoje são os bancários. Amanhã serão os professores, os petroleiros, os funcionários públicos, os sem-terra e os sem-teto. Não duvido que a maioria de todas essas categorias seja constituída por pessoas de bem, que desejam trabalhar em paz. O problema é que a maioria está refém das máfias militantes.
Não se iluda. A luta apenas começou. Enquanto a esquerda lulopetista não for relegada ao ostracismo, o país continuará a sofrer como um velhinho que não tem cartão de crédito nem internet.
E você já sabe que eles não têm nenhum escrúpulo em fazer mal a velhinhos.





