A fantástica fábrica do crime
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quarta-feira, 28 de novembro de 2018
Paulo Briguet 

O Brasil é o país mais assassino do mundo. Nosso maior problema não é apenas econômico, nem social, nem político; além de envolver esses aspectos, está na base de todos eles. Nosso maior problema se chama crime. Enquanto não houver um enfrentamento da criminalidade, não resolveremos nada.
Há dois aspectos cruciais no fenômeno do crime: a sua origem e o seu desfecho. A origem está na queda alucinante da inteligência brasileira e no analfabetismo funcional generalizado. O desfecho está na impunidade da maioria dos crimes: 65 mil brasileiros são assassinados por ano, e 92% desses crimes ficam sem solução. Prende-se pouco, pune-se pouco, solta-se muito.
Quando as escolas viram fábricas de analfabetos, tornam-se também fábricas de criminosos, tendo em vista que a incomunicabilidade a que são forçadas legiões de brasileiros fornece mão de obra abundante para o crime organizado. Logicamente, é uma minoria que acaba por se envolver com o crime; mas uma minoria capaz de atingir a sociedade inteira pela brutalidade com que opera.
Todos os homens estão sujeitos ao sofrimento; a dor de viver é uma norma da existência no mundo. Mas o analfabetismo e a falta de inteligência condenam as pessoas a algo muito pior: o sofrimento indizível. Uma dor de viver que não encontra meios de expressão e não pode ser transformada em algo construtivo para a sociedade termina se voltando contra essa mesma sociedade. O crime fornece a linguagem e o acesso aos meios de ação que a educação não conseguiu oferecer: ele começa onde ela fracassa. De certa forma, o crime torna-se um substituto da educação, um imitador da cultura, um arremedo de espiritualidade.
De um lado, o Estado fabrica analfabetos em massa, que têm todos os anseios e sonhos gerados pela sociedade midiática e nenhuma forma de expressar ou sublimar seus sofrimentos existenciais. De outro lado, esse mesmo Estado deixa de punir os crimes nascidos no caldeirão da ignorância, onde os temperos são a ideologia do tráfico e o tráfico da ideologia. O poder ideológico controla as duas pontas do processo: cria analfabetos que se tornam criminosos, depois relativiza e tolera os crimes que eles cometem. Quando crianças e jovens, prende-os na gaiola da ideologia. Quando adultos, abre as portas da mesma gaiola e manda-os voar, voar, voar. Ou melhor: mentir, roubar e matar.
O maior desafio do novo governo será desmontar essa fantástica fábrica de criminosos, cujos produtos têm sido aqueles que o socialismo gerou onde quer que esteve: miséria, corrupção, opressão, tortura e morte.
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