A ditadura dos impostos
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de janeiro de 2018
Por Paulo Briguet 

Sempre que nasce um brasileiro, acende uma luzinha vermelha lá em Brasília e um funcionário grita:
Chegou mais um contribuinte!
Na verdade, essa palavrinha do funcionário já é uma afronta. Contribuinte, como diria o Padre Quevedo, non ecziste. O que existe é pagador de impostos.
A vida do brasileiro consiste em pagar impostos. Você paga para trabalhar (IR), para ocupar lugar no espaço (IPTU), para se locomover (IPVA), para prestar algum serviço (ISS), para vender ou comprar alguma coisa (ICMS), e assim por diante. Mas esses são os impostos que têm nome e boleto. Há uma infinidade de impostos ocultos, embutidos em tudo que você faz. Comer, beber e dormir são verbos sujeitos à tributação. A vida tornou-se alíquota; viver, um boleto.
Hoje cada um de nós trabalha até maio só para pagar impostos; quase metade do que ganhamos vai direto para as mãos do governo. Por muito menos 20%, o quinto dos infernos Tiradentes e seus amigos (entre eles um traidor) fizeram a Inconfidência Mineira.
De certa forma, somos todos funcionários públicos não concursados, com a diferença que não temos estabilidade nem podemos fazer greve. Se isso não é escravidão, o que é?
Mas não é só o governo formal que cobra impostos. Os donos do mundo e justiceiros sociais também estão de olho em você, pobre leitor. O que é a imposição de agendas "progressistas" (aborto, ideologia de gênero, liberação das drogas, impunidade de criminosos, lavagem cerebral nas escolas) senão uma forma de cobrar imposto ideológico sobre o cidadão comum?
Os dois piores tributos, no entanto, não são econômicos nem ideológicos. Estou falando do imposto sobre a vida e do imposto sobre a inteligência. O primeiro é o imposto dos assassinatos, que levam 70 mil brasileiros por ano, um a cada 9 minutos; o segundo é o imposto do analfabetismo funcional, que está criando uma geração de brasileiros incapazes de ler e escrever, graças ao pior sistema educacional do mundo, patrocinado por Paulo Freire e seus companheiros. A simples existência desses outros dois impostos demonstra que o liberalismo é importante, mas não resolve tudo. Todo aquele que promete salvar o país somente com medidas liberalizantes é parte do problema, não da solução.
Ainda não sei quanto vou pagar de IPTU neste ano. Mas, pelo que andam dizendo, minha cara ao receber o boleto vai ficar parecendo a famosa tela "O Grito", de Edvard Munch. Quando da votação do novo IPTU na Câmara de Vereadores, eu já havia dito que os favoráveis estariam decretando sua morte política. E isso por um motivo muito simples: ninguém aguenta mais pagar imposto no Brasil. Toda e qualquer revisão do IPTU, em minha opinião, só seria aceitável como parte de uma profunda reforma administrativa, não apenas com a redução temporária de despesas, mas com extinção de secretarias, congelamento de salários, programa de demissões voluntárias, privatização de empresas públicas (no caso, a Sercomtel) e outras medidas semelhantes.
Do contrário, só teremos choro e ranger de dentes.
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