A construção da vida eterna
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de setembro de 2016
por Paulo Briguet 

Esta é uma foto que fiz da janela do meu escritório. Ao fundo, há uma fileira de prédios que compõem a Gleba Palhano, o bairro que mais cresce em Londrina. Até quinze anos atrás, essa mesma região era uma fazenda cercada por sítios e chácaras.
Se você olhar atentamente, notará que em primeiro plano há dois esqueletos de prédios. São empreendimentos da Encol nos anos 90. Meu pai quase chegou a comprar um apartamento na planta nesse mesmo condomínio, hoje fantasma. Por pouco, não perdeu as economias de uma vida inteira de trabalho e sacrifício. Como todos sabem, a Encol quebrou, lesando milhares de brasileiros.
Neste final de semana, li a frase de um militante na internet em que ele questionava o fato de igrejas não pagarem impostos. Imediatamente pensei que tal afirmação era, no mínimo, um grande equívoco. E por quê?
Porque a Igreja não é apenas o maior hospital do mundo, a maior escola do mundo, a maior universidade do mundo, a maior creche do mundo, o maior orfanato do mundo, o maior lar de idosos do mundo, o maior leprosário do mundo, o maior abrigo de refugiados do mundo, o maior esconderijo de perseguidos do mundo, o maior tesouro arquitetônico do mundo, o maior museu do mundo, o maior festival artístico do mundo foi ela quem INVENTOU essas coisas todas. Quando os "movimentos sociais" realizarem 0,5% da obra cristã, então poderemos conversar sobre impostos.
Alguém pode questionar: "Mas existem pessoas corruptas e aproveitadoras na Igreja". É óbvio! Jamais os malandros de todas as épocas deixariam de aproveitar uma ideia tão boa. No entanto, reduzir o trabalho da Igreja o Corpo Místico de Cristo! à ação de uma minoria de picaretas seria o mesmo que equiparar o trabalho das empresas londrinenses àqueles dois esqueletos da Encol. Se há padres, pastores e fiéis picaretas, cadeia neles. Mas deixem os outros trabalharem em paz.
A Igreja que eu frequento e com a qual colaboro através do meu trabalho voluntário embora, vergonhosamente, não seja dizimista é uma instituição que publica detalhada prestação de contas, como qualquer empresa ou entidade deve fazer. Considero-me pessoalmente ofendido quando alguém aponta o dedo para esse trabalho consistente, sério e fundamental para a vida em nossa comunidade. Em geral, quem o faz age porque adora algum bezerro de ouro moderno: ideologia, vã guarda, egoísmo.
Encerro com as palavras de um santo que me inspiram a continuar escrevendo:
"Na nossa ocupação profissional, temos de atuar de tal maneira, do ponto de vista humano, que não fiquemos envergonhados nem façamos corar quem nos conhece e nos ama; [
] e não vos acontecerá como àquele homem da parábola que se propôs edificar uma torre: depois de lançar os alicerces, não podendo concluí-la, começaram todos os que a viram a zombar dele, dizendo: «Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir.» Garanto-vos que, se não perderdes a visão sobrenatural, poreis o coroamento na vossa tarefa, acabareis a vossa catedral."
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