A canção de Madre Leônia
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de junho de 2017
por Paulo Briguet 
Todas as manhãs, quando abro a janela, contemplo a visão da cidade e peço:
Madre Leônia, rogai por nós!
Muitas pessoas têm o privilégio de ter um santo em seu país; outras, na região em que vivem; outras, em menor número, um santo da própria cidade. Considero-me um privilegiado: tenho uma santa na minha rua. Seu nome, Madre Leônia Milito.
O maestro Roney Marczak também é meu vizinho. Sua escola de música se situa a alguns metros da casa em que Madre Leônia morou, hoje transformada em um pequeno museu. Violinista de nível internacional, Roney poderia estar tocando em qualquer grande orquestra do mundo, mas escolheu viver em Londrina, ensinando música a jovens pobres de nossa cidade, que com isso adquirem a maior das riquezas: a elevação do espírito. De certo modo, portanto, o trabalho do maestro e o da madre possuem um significado semelhante.
Ao visitar a casa de sua vizinha, Roney Marczak teve uma súbita iluminação um desses instantes epifânicos que acontecem na vida do artista. Para um músico, a inspiração vem na forma de notas, melodias e harmonias. Assim, o maestro compôs "Madre", uma peça para violino e orquestra em homenagem à futura santa londrinense.

"Madre" foi apresentada ao público pela primeira vez no palco do Teatro Mãe de Deus, no último dia 5 de junho, durante o concerto em homenagem aos 80 anos da Acil. Eu estava lá, e me emocionei profundamente com a beleza da composição, um pequeno épico espiritual. Enquanto Roney tocava nossos corações com a pungência de seu violino, víamos imagens de Madre Leônia ao longo da vida: a infância, a juventude, a maturidade e a eternidade de uma grande mulher.
Ao meu lado, na plateia, estava a irmã Aparecida Arado, que chegou a Londrina ainda noviça, em 1960, para trabalhar com Madre Leônia e Dom Geraldo Fernandes, fundadores da Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret, hoje atuante nos cinco continentes. Irmã Aparecida não escondeu sua profunda emoção diante da homenagem prestada pelo músico à sua amiga e mestre. Ao final do concerto, presenteou Roney com o Diário Espiritual de Madre Leônia.
Alguns podem me perguntar a razão do título desta crônica. Afinal, a peça composta por Roney Marczak não tem letra não sendo, portanto, uma canção. Ocorre que este cronista, em sua maluquice, sonhou que "Madre" era interpretada por um coro de crianças, com as palavras que Jesus disse a Leônia em junho de 1975:
"Necessito de tuas mãos
para continuar a fazer o bem a todos.
Necessito de teus lábios
para continuar a ensinar.
Necessito do teu coração
para continuar a amar.
Necessito do teu corpo
para continuar a sofrer.
Necessito de ti,
para continuar a salvar em tua companhia a humanidade toda."


