Na gíria do sistema carcerário, "procurar o verde" significa fugir da prisão. Pelo que lembro, nunca estive preso, mas aprendi essa curiosa expressão graças a um amigo ex-carcereiro. Eu não costumo procurar o verde, a não ser que este verde signifique o Palmeiras, que está bem perto de ser campeão; mas na última quarta-feira encontrei o amarelo.

Imagem ilustrativa da imagem A árvore amarela e o padre Briguet
| Foto: Paulo Briguet



Descendo a Rua La Paz, me encontrei com ela - não a paz, mas a árvore amarela. De início, pensei que se tratasse de um ipê temporão. É um ipê atrasado, pensei; e me lembrei do Atrasildo, personagem do Silvio Santos que se esquecia de pagar o carnê do Baú da Felicidade. Será que esse ipê resolveu dar as caras, ou melhor, as flores só agora em novembro?

Dois amigos, conhecedores de árvores, me corrigiram. Simoni disse que era uma chuva-de-ouro, cujo nome científico é Cassia fistula. Eduardo disse que é uma acácia imperial. Ora, chuva-de-ouro e acácia imperial são dois nomes (bonitos) da mesma árvore.

Um escritor disse certa vez que nada de mau pode acontecer quando há flores amarelas. Que assim seja!

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Várias vezes eu já fui confundido com padre. Não sei se é o meu jeito, se são as minhas roupas, se são os livros que eu carrego, se é o rosário que sempre anda comigo, ou mesmo se é uma consequência de que o uso da batina não seja mais um hábito entre os padres: o fato é que vira e mexe alguém pergunta se sou sacerdote. Minha resposta padrão invariavelmente é a mesma: "Não, sou pecador".

Mas nesta semana aconteceu algo inédito. Um grupo de WhatsApp recebeu a seguinte mensagem:

"A diretora da creche Santa Fé e o padre Paulo Briguet solicitaram - se possível - que cada um 'adote' uma das crianças da creche para presentear no Natal. Enviaram fotos com a numeração de roupas e calçados e a idade de cada uma delas, que envio na sequência. Posso contar com vocês? Desde logo agradeço a todos. Abraços!"

É, meus sete amigos leitores, parece que estou mesmo oficializado no altar. Resolveram me ordenar - logo eu, que sempre fui um desordenado incorrigível.

Um dos componentes do grupo percebeu o engano e pelo WhatsApp informou aos colegas que o referido não era padre, mas jornalista, escritor e casado com a Rosângela.

Ao meu quase xará, o padre Paulo Brincat, meus pedidos de desculpas por algum contratempo e meus sinceros desejos de que a sua campanha natalina tenha êxito. De repente, posso até participar...

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