Imagem ilustrativa da imagem A arte da tolerância
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"Se em algum momento, entre 1750 e 1930, se você pedisse a uma pessoa instruída para descrever o objetivo da arte, da poesia e da música, ela responderia: ‘A beleza’. Então, no século XX, a beleza deixou de ser importante. Estamos perdendo o sentido da beleza. E existe o perigo de que, com isso, percamos o sentido da vida." (Roger Scruton, filósofo inglês)

Se você também está preocupado com os destinos da arte em nossos tempos de culto ao grotesco, divisões políticas e guerras culturais, este cronista de sete leitores tem uma sugestão: assista hoje à palestra "Arte e Política", com Eduardo Wolf. A partir das 19h30, no auditório de Centro de Ciências Humanas da UEL, o palestrante vai discutir questões fundamentais como a liberdade de expressão, o conceito de arte e a tolerância às opiniões divergentes. A entrada é franca.
Eduardo Wolf tem uma visão bastante crítica sobre as patrulhas ideológicas que tentam monopolizar o debate cultural na sociedade brasileira. "Não podemos aceitar que exista uma agenda em que alguns temas possam ser objeto de censura, enquanto outros não", disse Wolf, durante um debate no canal Globonews, em outubro de 2017, logo após as polêmicas das exposições Queermuseu, em Porto Alegre, e do MAM, em São Paulo. Na ocasião, Wolf, que é doutor em Filosofia pela USP e editor da plataforma digital O Estado da Arte, lembrou algumas produções culturais que foram alvo de tentativas de censura por não atenderem à agenda ideológica de esquerda — o caso mais notório foi o do filme "O Jardim das Aflições", sobre o filósofo Olavo de Carvalho.
Para o professor Gabriel Giannattasio, coordenador do projeto A Casa da Tolerância, a palestra com Wolf será uma oportunidade para ampliar os horizontes do debate cultural na universidade. Um dos aspectos mais delicados do tema é a relação entre arte e militância política: de que maneira as agendas políticas podem não apenas influenciar, mas às vezes também dominar e distorcer, a produção artística?
"A arte, nas suas mais diversas formas, assumiu um papel de protagonismo no atual, ainda que, para alguns, as suas relações políticas estejam contaminadas por velhas, gastas e perigosas tradições", diz Giannattasio. Uma das piores tradições que envenenam o trabalho artístico é, segundo o professor da UEL, a de se tornar veículo da política. "No momento histórico em que a arte contemporânea está contaminada pelas ideias de hedonismo, justiça social e engajamento político, os artistas não estariam reivindicando para si um estatuto de liberdade que não é concedido a mais ninguém?"
No primeiro evento da Casa da Tolerância, realizado em abril, os organizadores ficaram surpresos ao encontrar pelo auditório do CCH vários cartazes com os dizeres: "É proibido gravar e filmar". O aviso fora afixado, semanas antes, pelos organizadores de outro evento. Imediatamente, os cartazes foram retirados. Na Casa da Tolerância, é permitido filmar e gravar. Aliás, é até melhor.
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