Imagem ilustrativa da imagem A alegria do perdão
| Foto: Paulo Briguet



Fui à missa no santuário onde repousa nossa querida Madre Leônia, futura santa de Londrina. A pequena igreja estava quase lotada, mas avistei um lugar vago ao lado de duas senhoras, e para lá me dirigi. Levava nas mãos um livro de orações e meditações de Edith Stein, também conhecida como Santa Teresa Benedita da Cruz, copadroeira da Europa. "Teu coração deseja mais" é o título do pequeno livro de capa amarela.

Depois de fazer a genuflexão, encaminhei-me até o banco onde estavam as duas senhoras. Cumprimentei-as, pedi licença e ocupei o lugar vazio. Uma das senhoras me olhou fixamente:

—Você não é o Paulo, aquele jornalista que escreve na Folha?

— Sim, sou eu.

— Eu sou Ruth, mãe da Lenise Queiroz. Leio sempre o que você escreve. É uma alegria muito grande estar aqui ao seu lado.

— Para mim também, D. Ruth! É um prazer conhecê-la pessoalmente. A Lenise sempre fala na senhora.

O padre entra e a missa começa. Mais ou menos na altura do salmo responsorial, a outra senhora que está ao meu lado revela interesse pelo livro que coloquei ao meu lado no banco.

— Fique à vontade para folheá-lo — digo.

Ela agradece com um sorriso e abre o livro. Nesse momento, olho para trás e vejo, na parte superior da igreja, o cantinho em que Madre Leônia costumava rezar e assistir às missas. Dali, nossa santa possuía uma visão privilegiada do altar e do Santíssimo. De vez em quando, tem-se a impressão de que ela continua no mesmo lugar, cuidando de nós.

Durante as leituras de Malaquias e São Paulo Apóstolo, noto que uma irmã claretiana usa a linguagem de sinais e traduz o conteúdo das passagens bíblicas para uma outra religiosa, que me parece ser deficiente auditiva.

D. Ruth me confidencia: "Estou feliz por você estar aqui e por presenciar esta cena linda".

Após o Evangelho — que falava do fim do mundo — vejo alguns metros à minha frente está uma senhora que há quase 20 anos eu tratei com arrogância e ofendi injustamente. Ela está acompanhada pelo marido, e parece feliz.

Comungo, ajoelho-me e penso nas almas do Purgatório, lugar em que provavelmente terei de passar um bom tempo. O sofrimento com esperança é algo que dá sentido à vida.

A missa está chegando ao fim. Viro-me para minha vizinha, que já colocou o livro novamente sobre o banco.

— Escute, a sra. não quer ficar com o livro? Esse eu já li e, de qualquer modo, posso comprar outro na livraria.

Ela abre um sorriso e agradece muito.

Então, lá fora, pertinho da imagem de Nossa Senhora de Lourdes, eu encontro a pessoa que havia ofendido há 20 anos. Imediatamente peço perdão.

O sorriso que ela abre é mais bonito que todas as flores do santuário:

— Paulo, Paulo, você não sabe como é bom ouvir isso! Foi a melhor coisa que poderia me acontecer hoje...

Volto para casa com a alma um pouco mais leve. Não assobio porque não sei assobiar; então, rezo. O perdão é a lei que estrutura a realidade.

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