Imagem ilustrativa da imagem A alegria de voltar para casa
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"Um pequeno mal é um grande bem." (Ditado árabe)

Viajar é bom, mas voltar para casa é melhor ainda. Aproveitando o verão, passei alguns dias na praia com minha família, e programamos o nosso retorno na última terça-feira. Sou viciado em Londrina: bastam alguns dias longe para eu sentir falta da minha casa, dos meus livros, da minha cidade. Nesse ponto, sou igualzinho ao Cisco. Ele também foi conosco à praia - e também sentiu saudades de casa.

Na praia, para surpresa dos céticos, joguei frescobol com o Pedro, pulei ondas e fiz uma caminhada forçada de dez quilômetros por ter esquecido a carteira no apartamento que alugamos. Andei de banana boat (que sufoco!) e contei muitas historietas para o Pedro, entre elas a de que fui o primeiro alpinista a alcançar o topo do Morro do Macaco e compus a música "Amigo" em parceria com Erasmo Carlos (Roberto estava de férias e pediu que o substituísse). Ele sabe que é tudo mentira, mas gosta de ouvir minhas façanhas.

Vocês sete já sabem que eu não sei dirigir. Portanto, na viagem de volta mais uma vez atuei como navegador - e falhei miseravelmente. Preocupado em contar minhas lorot... ops, façanhas para o Pedro, fiz a Rô errar três vezes o caminho. Por isso, não pudemos almoçar em Santa Felicidade, e tivemos que nos contentar com uma churrascaria de beira de estrada.

Ouvi dizer que a maioria dos acidentes de trânsito acontece no começo ou no fim das viagens. E não foi diferente desta vez: depois de pararmos para abastecer em um posto de Ortigueira, tivemos, eu não diria um acidente, mas um contratempo aborrecido: mal orientados por um funcionário do posto, inadvertidamente passamos por uma valeta que estava sendo cavada por operários e a parte inferior do carro ficou danificada, impedindo-nos de prosseguir viagem.

Por alguns instantes, ficamos perplexos, olhando para o Sol que já se escondia no horizonte. Mas, por uma dessas felicidades que só Deus explica, encontramos um anjo de guarda que deu carona para a Rô, o Pedro, meu sogro, minha sogra, o Cisco e toda nossa bagagem. Fiquei sozinho no posto, esperando o guincho, ao lado de nosso carro pifado.

Já era noite quando veio o guincho e eu peguei o táxi de volta para Londrina. Perto de Tamarana, vi os bombeiros e a polícia atendendo a um acidente grave, com pelo menos uma vítima fatal, ocorrido no final da tarde. Nesse momento, não pude deixar de pensar que as minhas falhas de navegação e mesmo a vala que quebrou nosso carro podem ter sido livramentos: se tivéssemos seguido viagem normalmente, talvez fôssemos nós as vítimas fatais.

Por isso, meus queridos sete leitores, nunca deixem de agradecer a Deus quando, ao final do dia, vocês voltam para o lar e reencontram tudo aquilo que lhes parece inerente à vida cotidiana. A vida, meus amigos, é um equilíbrio muito delicado em que os pequenos males quase sempre escondem o grande bem. Voltar para casa é um milagre tão grande quanto o nascer do Sol.

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