A adoração dos bandidos
Decisão de libertar assassinos de sargento da PM revoltou até o presidente da República
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de junho de 2019
Decisão de libertar assassinos de sargento da PM revoltou até o presidente da República

Luís Carlos da Silva Castro, 56 anos, era sargento reformado da Polícia Militar do Amazonas. Na última quarta-feira, véspera do feriado de Corpus Christi, ele fazia um bico de segurança numa loja de produtos eletrônicos em Manaus, quando foi covardemente assassinado por três bandidos, enquanto um cúmplice os esperava no carro.
As câmeras de segurança da loja mostram a cena com uma nitidez exasperante. Os assaltantes chegam, rendem o ex-PM e fazem dez disparos contra ele. Antes de fugir, ainda fazem questão de levar a arma e a carteira da vítima. Há também um vídeo em que um dos bandidos descreve o assassinato com detalhes.
Dos dez tiros, oito atingiram as costas do Sargento Luís. No dia seguinte, amigos e familiares estavam indignados no velório do policial militar. Mas, não bastasse a sordidez do crime, eles receberiam em seguida uma notícia acachapante: durante a “audiência de custódia”, três dos quatro bandidos presos em flagrante foram libertados por uma decisão da juíza Ana Paula de Medeiros Braga, que vislumbrou “vícios” nas provas de materialidade do crime. Detalhe: nem mesmo a defesa dos assassinos pediu que eles fossem soltos.
A decisão da juíza não indignou apenas os amigos e a família do Sargento Luís, mas toda a sociedade brasileira. Até o presidente da República publicou uma nota em seu perfil no Twitter:
“Marginais que executaram o Sgt da PMAM Luís Carlos da Silva Castro, com 10 tiros, sendo 8 nas costas, saem pela porta da frente da delegacia após serem ouvidos em *Audiência de Custódia*. Em 2016 @bolsonarosp apresentou PDC p/ sustar a Resolução do CNJ que criou as Audiências.”
O presidente Bolsonaro tem razão. A cena dos três bandidos saindo pela porta da frente da delegacia entrou para a galeria das infâmias nacionais. E essa infâmia, assim como as mortes do menino Rhuan e da trabalhadora Eli, tem uma raiz ideológica: no caso, a bandidolatria de alguns setores da Justiça brasileira.
Essa adoração por bandidos pode ser vista entre aqueles que defendem a liberdade de Lula e a prisão de Sergio Moro. A esquerda brasileira — seja a ala revolucionária, seja a ala progressista — quer libertar o corrupto e prender o caçador de corruptos. E, para tanto, não se envergonha de utilizar os métodos mais sórdidos, da intercepção criminosa de conversas pessoais até o aparelhamento ideológico da nossa amada Igreja.
Mas a boa notícia é que a sociedade brasileira está reagindo. Após a repercussão do caso, a juíza Luciana Nasser reverteu a decisão de sua colega e decretou a prisão dos três bandidos soltos na sexta-feira. Eis um bom motivo para irmos às ruas no próximo domingo (dia 30): o Brasil não aceita mais ser país do crime sem castigo.





