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Arquivo 5m de leitura Atualizado em 04/09/2020, 19:54

Aplicativos substituem boca a boca na hora de conquistar vizinhança

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de setembro de 2020

Flávia G. Pinho/ Folhapress
AUTOR autor do artigo

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São Paulo - O consumo local, que já vinha sendo apontado como tendência, se fortaleceu durante a pandemia. De acordo com Laura Kroeff, vice-presidente de digital e inovação da empresa de pesquisa Box 1824, o consumidor compreende que os pequenos empreendedores são os mais atingidos pela crise e tem se mobilizado para ajudar.

O consumo local se fortaleceu na pandemia e os aplicativos ajudam a formar a rede de vendas na vizinhança
O consumo local se fortaleceu na pandemia e os aplicativos ajudam a formar a rede de vendas na vizinhança |  Foto: iStock
 

"Essa consciência só reforça a solidariedade e o senso de comunidade", afirmou durante palestra no evento Varejotech Conference 2020, realizado pela escola de negócios StartSe neste mês.

A diferença é que, no passado, panfletos e propaganda boca a boca davam conta da divulgação entre vizinhos. Hoje, aplicativos conectam negociantes e clientela.

Lançada no dia 22 de maio, por enquanto só para acesso pela web, a ferramenta MeuVizinho.me já tem 12 mil usuários, sendo 4.000 no estado de São Paulo, e está presente em 470 cidades brasileiras.

Idealizado pelo publicitário Carlos Ávila, 45, que investiu R$ 500 mil na empreitada, o aplicativo ainda é 100% gratuito, tanto para quem anuncia quanto para aqueles que buscam produtos e serviços.

Segundo Ávila, seu público-alvo é formado por microempreendedores, que muitas vezes iniciam o empreendimento em casa e não têm verba para pagar pelos anúncios.

Quando chegar a 500 mil usuários, porém, meta que pretende atingir até o fim do ano, Ávila vai oferecer ferramentas para incrementar os negócios dos anunciantes. E essas, sim, serão cobradas.

"O bairrismo está se fortalecendo na pandemia e vai permanecer em alta. Quando analisamos um raio de 12 quilômetros ao redor de casa, descobrimos um mundo de possibilidades de fazer bons negócios", afirma.

A bordadeira Ingrid Carrera, 50, do Senhora Carrera Ateliê, mora no bairro da Penha, zona leste de São Paulo, e foi atraída pela possibilidade de oferecer seus produtos no MeuVizinho.me.

Ela já postava anúncios no Instagram, mas diz que as curtidas nem sempre se convertiam em compras. E distribuir panfletos na vizinhança não lhe pareceu uma boa ideia.

"Já morei em Manaus, onde as pessoas me recebiam e ainda me convidavam para um café. Em São Paulo é diferente, ninguém vai ao portão para pegar o panfleto", compara.

Pela plataforma, Carrera vende kits com três máscaras bordadas à mão, a R$ 50, e bolsas de compras, também bordadas, a R$ 15. Por mês, fatura cerca de R$ 2.000.

"Quando entrei no aplicativo, em junho, havia poucos usuários na minha região, mas vejo que, aos poucos, o número está aumentando."

O aplicativo retém uma taxa de 15% do valor dos pedidos, mas não há cobrança pelo cadastro nem mensalidade.

Segundo o geólogo Jean Penatti, 50, cofundador do Vizinhança, o serviço não se envolve na logística. A entrega é combinada entre as partes, mas o pagamento é intermediado. "O cliente paga com cartão de crédito, registrado no ato do cadastro, e eu faço o repasse ao fornecedor 30 dias depois", explica.

Penatti planeja expandir a área de atuação. Quer estar em toda a região metropolitana do Rio até o fim do ano, chegar ao restante do estado até meados de 2021 e desembarcar em São Paulo no primeiro trimestre de 2022.

Até a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), com apoio do Senar-SP e do Sebrae, lançou seu aplicativo em abril: o Pertinho de Casa, presente em 585 cidades de 27 estados. Até o fim de agosto, foram realizados 13.689 cadastros gratuitos na plataforma.

A diferença é que o serviço também conecta o comércio de bairro e os clientes aos pequenos produtores rurais que estão no entorno - basta acessar o site e dar o CEP.

De acordo com Bruno Quick, diretor técnico do Sebrae, a tecnologia ajuda o empreendedor a romper o isolamento e se tornar mais acessível. Mas há outra vantagem ainda mais importante.

"Como essas ferramentas permitem a comunicação entre quem vende e quem compra, o empreendedor consegue formar uma base de clientes consistente e, em cima dela, estabelecer uma dinâmica de relacionamento", diz Quick.

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