Apesar da volta das chuvas nesta semana, diversos municípios paranaenses ficaram 40 dias sem precipitações, fazendo com que atualmente apenas 67% das lavouras de trigo ainda apresentem boas condições no Estado, contra 96% na safra passada neste mesmo período.

O levantamento vem sendo realizado semanalmente por técnicos do Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento).

Segundo o estudo, as lavouras de trigo em condições médias representam hoje 24% da área (4% em julho de 2023) e as ruins, 9% (sem registros neste período em 2023) em território paranaense.

PIOR INÍCIO DE SAFRA

“Este é o pior início de safra registrado desde 2011, quando geadas intensas foram registradas e fizeram com que apenas 55% das lavouras fossem consideradas boas em meados de julho”, analisa Carlos Hugo Godinho, agrônomo do Deral.

Atualmente 7% das lavouras estão em enchimento de grãos e 25% estão em floração, fases em que a necessidade hídrica é maior para o desenvolvimento pleno da cultura.

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“Essas lavouras estão concentradas no Norte do Estado e devem ser as mais afetadas. As demais lavouras estão 65% em desenvolvimento vegetativo e 3% em germinação, com maior possibilidade de recuperação”, destaca.

O técnico acrescenta que muitas das áreas mais adiantadas apresentam desuniformidade no ciclo em função das chuvas irregulares de maio, o que pode impactar a qualidade do produto obtido, além da produtividade.

“Outra parte das lavouras mais adiantadas sequer recebeu chuvas durante 40 dias após serem semeadas, apresentando porte reduzido, baixo perfilhamento e área foliar diminuída.”

O técnico pondera que o tempo foi mais favorável nos municípios que estão concluindo agora o plantio ou em que grande parte das lavouras está em desenvolvimento vegetativo. “Sob esse cenário, as lavouras apresentam boas condições e bom andamento dos tratos culturais.”

COLHEITA

As primeiras áreas de trigo devem ser colhidas a partir de agosto em território paranaense e, segundo o técnico, vão facilitar o dimensionamento do problema. No entanto, os primeiros indicativos de perdas já devem ser registrados no relatório do Deral a ser divulgado publicamente em 25 de julho.

“É improvável que consigamos superar a produção de 2023, de 3,65 milhões de toneladas de trigo no Paraná. Em 2023 plantamos uma área maior, mas o excesso de chuvas prejudicou a produtividade”, conclui.

ATRASO

Produtor de trigo em Tibagi, região dos Campos Gerais, Maurício César do Valle Gomes projeta perdas na produção em função do clima seco.

Em função da estiagem prolongada, o agricultor teve que atrasar o plantio de quase 30% de produção. “Atrasei quase um mês o plantio dessa parte da produção porque não tinha umidade no solo suficiente. Com isso, o ciclo de desenvolvimento acaba sendo acelerado, o que pode afetar o desenvolvimento das plantas”, explica.

O agricultor reforça que a contabilização das perdas deverá ocorrer somente em setembro, quando está previsto o início da colheita em sua propriedade. “Dentro do mesmo talhão, hoje eu tenho plantas de várias idades. Por enquanto, não é possível mensurar as perdas”, pontua.

Ao todo, Mauricio tem trigo plantado em 330 hectares de terras, cereal que deverá ser comercializado em moinhos localizados no Paraná.

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