Paranaenses já vivem clima da Copa em país vizinho ao Catar
Analistas de desempenho que atuaram em Londrina e trabalham nos Emirados Árabes avaliam que futebol na região tende a evoluir com Mundial
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de novembro de 2022
Analistas de desempenho que atuaram em Londrina e trabalham nos Emirados Árabes avaliam que futebol na região tende a evoluir com Mundial
Guilherme Eduardo Morais/Especial para a FOLHA 

Falta uma semana para a Copa do Mundo no Catar e o clima do torneio toma conta não apenas do Oriente Médio, mas também do restante do mundo. A atmosfera da principal competição de futebol do planeta tem mudado a rotina, principalmente, dos países que fazem fronteira com a sede do Mundial. É o caso dos Emirados Árabes Unidos (EAU), onde dois paranaenses têm acompanhado de perto a movimentação.

Neto Ananias, 30, natural de Cornélio Procópio (Norte Pioneiro), e Eduardo Thomaz, 25, de Apucarana (Vale do Ivaí), são amigos desde o período que estudavam na UEL (Universidade Estadual de Londrina) e, atualmente, trabalham como analistas de desempenho nos EAU. Antes de se aventurarem pelo mundo árabe, tiveram trajetórias distintas no futebol.
Ananias iniciou sua carreira em 2018, de maneira remota, na Associação Atlética Itararé (SP). Em seguida, passou por vários clubes, como PSTC, Nacional de Patos (PB), Sousa Esporte Clube (PB) e Juventus (SC), até chegar ao Dibba Al-Hisn, clube que disputa a First Division (equivalente à Série B do Brasileirão), em agosto deste ano.
Thomaz começou no NAC (Nacional Atlético Clube, de Rolândia), em 2015, quando ainda estava na faculdade, e passou por Grêmio Araponguense e Londrina. Em 2017, quando o Tubarão estava próximo do título da Primeira Liga, recebeu a proposta do Sharjah FC, que joga a Pro League (equivalente à Série A). Após conversar com Cláudio Tencati, técnico do LEC na época, decidiu aceitar. Desde então está no país e depois de uma passagem vitoriosa pelo time, chegou, em julho, à seleção de juniores.
ATMOSFERA
Ambos comentam que a influência da Copa é evidente em vários aspectos da região, principalmente na economia e no turismo. "A mídia já está muito grande. Muitos patrocinadores da Copa são marcas fortes nos Emirados Árabes. A atmosfera realmente está propícia para a Copa do Mundo. Não tenho dúvidas de que muitos que vivem aqui vão participar e assistir. Vamos ter uma parada no calendário do futebol. Possivelmente vamos para os jogos. Também tem o efeito contrário, com muitos turistas vindo para os Emirados pelo fato de ter a Copa no Catar”, comenta Ananias.

Thomaz conta que os hotéis já têm recebido vários grupos de turistas e que as companhias aéreas aumentaram a quantidade de voos diários entre Dubai e Doha (capital do Catar): “Há um mês estive concentrado com a seleção (dos Emirados) em um hotel em Dubai. O pessoal do hotel comentou que estavam recebendo muitos grupos da América do Sul. Eles já estavam com o hotel lotado um mês antes do início da Copa. Isso reforça a ideia de que o pessoal está vindo para Dubai para fazer essa transição de aproveitar o momento aqui.”
DESENVOLVIMENTO
A Copa do Mundo é um evento que, naturalmente, coloca em destaque mundial o país-sede e todas as outras nações ao redor dele. O caso do Catar não é diferente. Para os analistas de desempenho, isso irá ajudar ainda mais no desenvolvimento do futebol da região, que tem recebido bons investimentos locais. “Para nós que estamos trabalhando com futebol aqui é um momento muito propício, porque já é um mercado em ascensão e agora, tendo a Copa do Mundo, com certeza é uma valorização a mais, tanto para os atletas quanto para as comissões técnicas”, projeta Ananias.
A Copa ainda pode mostrar que o futebol da região não se restringe apenas à ostentação. “Por muitos anos todo mundo falou do Oriente Médio por conta da parte financeira e não da futebolística. Todos têm o desejo de vir por pensar em valores monetários, mas na verdade não. Nesse tempo que estou aqui vi que existe um desenvolvimento voltado para o futebol”, destaca Eduardo Thomaz.
Ele exemplifica este avanço com a conquista inédita da Copa da Ásia pelo Catar, em 2019, vencendo a seleção do Japão por 3 a 1 na final. “Essa temporada da liga de futebol daqui é uma das que mais tiveram mais jogadores de renome. Acreditamos que um dos principais motivos seja por ser um país do lado da sede da Copa do Mundo”, analisa. Entre esses atletas estão o zagueiro Manolas, os meio campistas Allan, Pjanić e Pizzi, e os atacantes Paco Alcácer e Yarmolenko.
O HEXA VEM?
Distantes mais de 12 mil quilômetros do Brasil, os dois analistas de desempenho prometem vestir a amarelinha e torcer pelo hexa. “O Brasil vai chegar, na minha opinião, melhor preparado para essa Copa do Mundo do que foi para a Copa da Rússia. Acredito que o Tite, trazendo um pouco da juventude em destaque, agrega muito. Além disso, vamos chegar com uma Seleção com experiência. Esse é o caminho. O Brasil sempre vai ser um dos favoritos, independentemente da Copa do Mundo que jogue, pela história, camisa e tradição”, aposta Neto Ananias.
Para Eduardo Thomaz, o fato da seleção brasileira ter atletas de renome internacional faz a diferença em meio a tantas estrelas do futebol. “Como um bom brasileiro, acredito que vamos levar o hexa dessa vez. Temos muitos bons nomes para todas as posições. Talvez tenhamos alguns jogos difíceis, mas não diria que estou desesperançoso. Acho que a seleção brasileira vem com tudo para essa Copa.”
AMIZADE
Os dois amigos se conheceram quando estudavam na UEL, em 2014. Ananias é formado em Esportes e Thomaz está concluindo a graduação em Educação Física nos Emirados Árabes. Em Londrina, já conversavam sobre os objetivos que tinham, mas não imaginavam que estariam onde estão hoje, trabalhando com futebol em um país tão distante do Brasil e exercendo a mesma função.
“O Eduardo era meu calouro na faculdade. É uma amizade muito legal, porque começou do nada, quando tudo ainda era só objetivos e sonhos. Cada um com seu caminho de batalhas, lutas, de muito trabalho e dedicação. É motivo de muita alegria para mim”, celebra o procopense Ananias.
É uma relação de admiração. “Quando participamos do trote na faculdade, tinha a figura icônica do Neto. Ele tem essa boa relação com as palavras. Quando começava a falar poderia sentar porque ali o homem falava bonito, ele é uma figura. É um cara que sempre foi muito pacífico, fez muito bem o meio de campo com tudo e com todos. Sempre acompanhei a carreira dele no futebol, sempre trocando mensagens. Assim como eu, tem essa ambição de alcançar coisas maiores. Espero que consiga ficar muitos anos por aqui”, deseja Thomaz.


