Sempre o dissenso
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de fevereiro de 2022
Luiz Geraldo Mazza 
A impressão é que age contra o sistema, o que lhe asseguraria certa disposição revolucionária: essa é a linha do bolsonarismo, na qual apostou o teórico Olavo de Carvalho apontando os consensos como evidência do marxismo cultural. Assim, todas as conquistas de convívio foram transformadas em algo a combater. Entram aí questões como cautelas ambientais, sexualidade, ativismo e participação política. E ontem o capitão nos presenteou com outra: o tal do garimpo às favas, como já fizera com a liberação dos defensivos químicos. Gerou-se o que chamam do legalismo autoritário porque, por exemplo, não é ilegal lutar contra o ativismo como fez ao não respeitar a praxe das listas tríplices para a escolha do Procurador da República. Quem deixou-se ludibriar foi a própria corporação ao não reagir, mesmo que se tratasse de algo não legal, mas legitimado pela praxe. E assim, também, com todas as outras estocadas que se deram até agora e outras que virão. O Congresso está sendo seguidamente amestrado para a renúncia ao conquistado.
Tradição
Uma boa tradição tem se dado a cada início de semana: aumento de oferta de vagas de emprego nas agências do trabalhador. Agora são 11.660 vagas, número apreciável e prova da dinâmica da nossa economia.
Eleição
Outro fenômeno captado nos registros eleitorais no sentido da queda de interesse na participação: é, para dizer o mínimo, desanimador o fato de diminuir o número de jovens de menos de 18 anos em busca do título para votar.
Ossadas
Após 32 anos é afinal encerrado o trabalho pericial em torno das ossadas da vala de Perus. Difícil, senão impossível, clarear fatos do gênero, de uma forma geral, no pais. Habituamo-nos a conviver com o mistério. Como houve, de certa forma, no caso das bruxarias de Guaratuba, afinal tão perto de nós. Nem todas as ossadas acabam corretamente explicadas.
Diplomacia
Criou-se muita expectativa na missão que Bolsonaro desenvolverá na Rússia e que teria rendido um apelo dos EUA para que não viajasse no momento atual. Pois o nosso presidente, normalmente isolado no quadro internacional, viu na iniciativa uma oportunidade para sair dessa condição, aconselhado pelo Itamaraty a não mencionar a pendência e sequer citar a Ucrânia. Pelo menos um constrangimento terá: o der se submeter a exames da Covid, na qual adotou posição radical, negacionista. A despeito das manobras militares na fronteira, volta e meia melhora o clima na agenda diplomática.
Front
Paraná é terceiro estado em número de casos e quarto em letalidade. Entre sábado e domingo no país houve queda de mortalidade com 325 mas com alto número de infecções em 58.056 em24 horas. No Paraná 5.825 casos e 4 mortes, Aqui há a convocação de 53.154 pacientes para segunda dose ou reforço, Há preocupação grave com a lentidão da imunização das crianças, fato prejudicado também pela subnotificação em cidades gerando furo nos dados da campanha. Há ainda o problema do kit Covid com o pessoal do governo reagindo a toda e qualquer iniciativa no sentido óbvio de condená-lo. Ideologia pode ser mais forte que vírus.
Aumento
De um modo geral a taxa de reajustes de servidores estaduais foi bem maior do que a adotada no Paraná, à exceção dos professores com regime próprio. Mesmo o Rio, com situação fiscal deplorável, deu 13%, bem maior do que a aqui adotada, de 3%. Ceará concedeu 10,74%, Maranhão 9%, no Amazonas aumentos vão de 7% a 32%, Paraíba e Mato Grosso do Sul 10%. Houve aumento em 13 unidades federativas.
Folclore
A decisão do Banco Central, liberada ontem, para consultar dinheiro deixado em bancos se viesse acompanhada de débitos, certamente não geraria tanto frisson.


