A queda do Brasil no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) reflete a falta de investimentos em políticas públicas essenciais como a educação. É o que afirma a pesquisadora do Observatório das Metrópoles da UEM (Universidade Estadual de Maringá), Ana Lúcia Rodrigues.

O cálculo que considera indicadores relacionados à longevidade, à renda per capita e à educação resultou em um pequeno aumento de 0.761 para 0.765 entre 2018 e 2019. Porém, o País deixou a 79ª posição e passou a ocupar a 84ª colocação entre os 189 países avaliados.

“O Brasil ainda se constitui como uma das maiores desigualdades do mundo. Esse processo deve ser enfrentado com ações do governo e investimentos. Na medida em que há investimentos para uma educação de qualidade, isso vai impactar na questão da renda. O Brasil é um dos países em que o orçamento público é muito mais utilizado para transferência para famílias ricas e apenas 25% é transferido na forma de políticas públicas para a saúde, para a educação e para a assistência”, afirmou.

Apesar de políticas públicas construídas pelo governo federal na gestão anterior, segundo ela, não foi possível consolidar um processo de reversão da desigualdade no País diante das dificuldades de mudança desse cenário.

“O que a gente tem nesse momento, nos últimos anos, é claramente uma destruição desse sistema, uma diminuição de repasses de recursos para a população empobrecida”, alertou.

O impacto da pandemia com o alto índice de desemprego, os repasses do auxílio emergencial e o panorama do sistema de saúde devem refletir nos indicadores do próximo ano. “A queda de 95% no repasse para a assistência social nos últimos quatro anos e o congelamento de recursos para a saúde e a educação vão fazer parte desses indicadores nos próximos anos. [...] O investimento pesado em educação é que vai criar renda e práticas mais saudáveis para a população no futuro”, defendeu.

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