Em Andirá, bananicultores atentos à sigatoka-negra
A cidade conta hoje com cerca de 50 bananicultores e uma produtividade que gira em torno de 32 toneladas por hectare
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de setembro de 2019
A cidade conta hoje com cerca de 50 bananicultores e uma produtividade que gira em torno de 32 toneladas por hectare
Victor Lopes - Grupo Folha 

Como os produtores paranaenses de banana ficam de mãos atadas sobre a possível chegada do Mal do Panamá, raça 4, no Brasil, fica a lição de como eles lidam com doenças fúngicas que no passado também fizeram um alarde muito grande e, que no final, acabaram sendo controladas de forma eficiente.
A sigatoka-amarela e, principalmente, a sigatoka-negra já causaram danos e prejuízos sérios na cultura da banana nacional e até hoje precisam de atenção. A questão é que elas têm fungicidas específicos para controle, o que facilita para o produtor. De forma geral, o fungo neste caso danifica o tecido foliar da bananeira, causa danos da área fotossintética da planta, o que reflete diretamente no enchimento dos frutos. “Temos produtos que hoje têm eficiência de controle, garantem a qualidade do fruto”, explica a engenheira agrônoma e extensionista da Emater em Andirá, Karina Aline Alves.
A cidade conta hoje com cerca de 50 bananicultores e uma produtividade que gira em torno de 32 toneladas por hectare. O olhar técnico em cima da sigatoka continua intenso, com duas propriedades de referência com monitoramento semanal feito pela extensionista, similar ao manejo integrado de doenças da soja. “Uma vez por semana vou na propriedade. Temos plantas que fazemos o monitoramento para que faça a aplicação de fungicida com critério técnico. No caso da banana, não há coletor de esporos como na soja, mas fazemos a análise foliar (das plantas). Isso exige treinamento técnico para identificar a doença na fase inicial”. A partir desse momento, as aplicações de fungicida são realizadas com embasamento técnico e não de forma calendarizada.
Dessa forma, o pequeno produtor tem consigo excelente rentabilidade com a banana. Apesar de a cidade este ano também ter passado por situação de geada, seca e outras intempéries climáticas, fica claro que existe ótimo retorno para os que permaneceram na cultura e se tecnificaram. Além da nanica, alguns bananicultores também trabalham com a prata e até a maçã. “A atividade é muito rentável, principalmente para o pequeno agricultor, que faz diversificação (das culturas). Uma área bem manejada de banana dá uma rentabilidade dez vezes maior que a soja, por exemplo.”
O produtor Wilson Sargi está há 25 anos na atividade. Ele possui oito alqueires com uma produtividade média de 3,7 mil caixas ( de 22 quilos) por alqueire/ano. Ele comenta que não está muito preocupado com o Mal do Panamá, “tem que aguardar para ver o que vai acontecer”. Ele faz um comparativo com a chegada da sigatoka-negra na região. “Quando ela entrou deu muito medo, porque até então só tinha a amarela, foi um apavoramento. Cheguei a perder produtividade, mas fomos adaptando ao trabalho e contornamos a situação”, relembra.
Sargi relata que hoje o tratamento acontece conforme a infestação, sendo as aplicações mais intensas no período de chuva associada ao calor, cenário em que o fungo se prolifera. Em relação a este ano, o produtor explica que mesmo com a geada, sua produção foi muito boa. “O bananal está bonito e, como a geada veio tardia no meu caso, a produção já estava adiantada. Nestes 25 anos de atividade, tive mais momentos positivos do que negativos com a cultura.”


