Em Londrina, um quarto dos deslocamentos é feito a pé ou de bicicleta, mas a malha cicloviária ainda deixa a desejar. O Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) planejou uma rede cicloviária para o município, mas não houve investimentos públicos para custear a execução do projeto. As ciclovias existentes na cidade são construídas como medida mitigatória decorrente de EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança), incluídas em projetos de loteamentos ou por exigência da Caixa Econômica Federal na liberação de financiamentos. O resultado é uma rede de 41 quilômetros de extensão desconectada e espalhada por toda a cidade.

Imagem ilustrativa da imagem Plano de Mobilidade auxilia na conexão das ciclovias
| Foto: Marcos Zanutto/24-04-2018

A correção dessa e de outras falhas que prejudicam a mobilidade começou a ser estudada no ano passado, quando foi iniciado o PlanMob Londrina (Plano de Mobilidade Urbana Sustentável), que irá fazer um raio X do atual sistema viário do município. O plano ajudará a identificar as prioridades e decidir em qual frente atacar, quando atacar e calcular os recursos necessários para cada projeto. “Tem um paciente que sabemos que está doente, mas não sabemos os órgãos já comprometidos e o que vamos tratar primeiro”, comparou a diretora de Trânsito e Sistema Viário do Ippul, Denise Ziober.

A diretora, adiantou, no entanto, que o instituto considera primordial o investimento em ciclovias. Hoje, os deslocamentos feitos a pé ou de bicicleta têm, em média, 1,2 quilômetro de extensão, indicando que os principais usuários do veículo não motorizado utilizam a bicicleta para percorrer distâncias curtas e 100% deles não fazem a integração com outros meios de transporte. “Uma pessoa que anda de bicicleta na juventude, quando é adulto já está acostumada. É um trabalho criar uma cultura de aceitação desse tipo de modo de deslocamento e começar a construir um trabalho nesse sentido”, defendeu Ziober.

A diretora alerta que os números que indicam o aumento da frota de veículos devem ser analisados com cautela. Pelos dados oficiais de licenciamentos feitos pelo Detran-PR (Departamento de Trânsito do Paraná), Londrina teria a média de quase um carro por habitante, mas Ziober afirma que esses dados não refletem a realidade. “Tem gente de fora que compra o carro aqui e faz o licenciamento no município. Os dados do Detran têm que ser usados com parcimônia para as nossas políticas.”

Mas os estudos do PlanMob indicam que o carro ainda é o principal meio de locomoção dos londrinenses. Cinquenta por cento dos deslocamentos são feitos por transporte individual e 25% por transporte público. Entre os motivos das viagens, 69% são para ir ao trabalho ou escola, independente da classe social, embora o poder aquisitivo esteja diretamente relacionado à quantidade de viagens feita. “Quanto mais renda, maior é o número de viagens que a pessoa faz. Para ir à padaria perto de casa, ela pega o carro”, comentou Ziober.

O PlanMob deve ser concluído antes do final do ano, mas já identificou que a maior queixa dos usuários do transporte público é sobre o valor da tarifa, considerado injusto em relação a qualidade do serviço prestado. A lotação dos ônibus, grande intervalo entre as partidas e o longo tempo de permanência nos pontos de ônibus são outras reclamações apontadas pelos passageiros. “O tempo total da viagem é grande demais. Chega a ser o dobro do carro. Os usuários ainda mencionam a segurança, nos pontos de ônibus ou dentro do transporte, e os atrasos. O Plano de Mobilidade recomenda uma reestruturação na rede. Ou reestrutura para atender melhor ou aumenta o subsídio para satisfazer os que não podem pagar. Tem muita gente indo a pé por dificuldade de custear o transporte”, disse Ziober.

A diretora do Ippul lembra ainda que pontos positivos que contribuem para a questão viária já foram identificados. Um deles é a carona solidária. Os técnicos responsáveis pela elaboração do PlanMob constataram um grande número de pessoas que sai de casa pela manhã sozinhas no carro ou na moto, mas à tarde retornam levando outras pessoas. “Identificamos que a tarde esse rush é diluído, não tem concentração muito pesada. Um dos motivos é a carona, mas também tem quem sai do trabalho e segue direto para a escola.”

Os resultados das pesquisas feitas dentro do PlanMob devem ser apresentados em setembro, durante uma audiência pública ainda sem data definida.(S.S.)

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