"O verdadeiro romantismo é sempre criativo e traz calor para onde quer que vá"
"O verdadeiro romantismo é sempre criativo e traz calor para onde quer que vá" | Foto: Shutterstock

As transformações sociais, culturais e até econômicas exercem influência na vida das pessoas. E o romantismo também acompanha essas mudanças. É o que observa o psicoterapeuta e psicanalista Sylvio do Amaral Schreiner, de Londrina. “Muda a forma, mas não a essência. Esta, que está relacionada com o amor, é atemporal."

Ele considera a prática do romantismo um meio de expressão, uma necessidade quando se ama. "Como uma árvore que floresce, ser romântico é como esse florescer. Não tem como ser diferente. Assim, cada um exerce o hábito de modo pessoal. Há pessoas que querem um relacionamento idealizado, próprio de capas de revista, que não tem como existir na realidade. Daí, comparações e cobranças que não cabem. É preciso que cada um seja romântico da forma que puder, afinal, não cobramos que um ipê floresça como uma cerejeira. Cada um tem sua própria flor."

Romantismo nos dias atuais

“Não há manual para isso. O que há é se as demonstrações de um pelo outro são verdadeiras. Romantismo tem a ver com verdade, não com fazer bonito. Tem a ver com cuidar do outro com respeito. De viver o amor que existe. De permitir que o outro seja o outro e aceitar isso. Ser romântico é um se permitir e se disponibilizar para o que o outro tem a oferecer. Não querer que seja assim ou assado, mas de se abrir ao que existe de fato, ao que pode ser vivido.”

Tecnologia a favor do amor

“A tecnologia não atrapalha o romantismo, muito pelo contrário, é mais um meio para se exercer o lado romântico. Quem de fato quer ser romântico, quer viver o amor, usará de todos os meios, inclusive a tecnologia, para expandir o que sente, para florescer de todas as formas. O verdadeiro romantismo é sempre criativo e traz calor para onde quer que vá.”

Formação e sentimentos

Uma família pode ser mais amorosa, enquanto outras não. Isso influencia como se demonstra os sentimentos. Quem nunca aprendeu na família sobre formas de ligar-se mais amorosas, claro que terá mais dificuldades em demonstrar isso numa relação futura. No entanto, quando o amor é verdadeiro e a vontade de vivê-lo também for, o romantismo sempre encontra uma forma de se fazer presente. Até os padrões familiares a que fomos submetidos perdem peso frente a algo tão forte quanto o amor.

Sem obrigação

“Romantismo não deve ser obrigação. Ninguém é obrigado a namorar e muito menos casar. Mas se quer viver isso, o romantismo se torna vital. Se não houver verdade, é claro que o romantismo não tem como existir. Mas, veja, se alguém quer pilotar um avião e aceita voar, sabe que não dá para pilotar um avião na estrada.”

Romance ideal

"Mais importante que idealizar sobre o romantismo é se permitir vivê-lo de verdade. De nada adianta teorizar. O romantismo tem que ser uma experiência. Quando ele acontece, a gente sabe - mesmo que nem chame de romantismo. Mas não há espaços para dúvidas, ou a gente sabe que vive algo romântico ou sabe que não vive.”

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