Quem quer deixar o cigarro, encontra diferentes opções de tratamento, inclusive pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas pouca gente consegue a remissão definitiva. Por isso, o conselho dos médicos é não dar o primeiro trago. "Os programas de tratamento de tabagismo até têm um bom índice de sucesso imediato, mas ao longo do tempo só 10% dos ex-fumantes conseguem manter. Na maioria dos casos, eles sofrem recaídas, às vezes anos depois", afirma o cardiologista Ricardo José Rodrigues.
Os muitos prejuízos causados pelo cigarro todo fumante já conhece. O equívoco de quase todos eles ainda está em achar que vai ser capaz de parar de fumar quando achar necessário. "O grande problema está na adolescência, que é quando a maioria começa a fumar. Depois que começa, é muito difícil parar", garante o especialista.
Os tratamentos mais comuns para o tabagismo, segundo Rodrigues, incluem três diferentes recursos: a vareniclina, a reposição de nicotina e o antidepressivo bupropiona. "A vareniclina é um medicamento oral que, para o cérebro, imita a nicotina. A pessoa tem um estímulo, como o da nicotina, mas não tão intenso e sem levar à dependência física", explica o cardiologista.
A terapia de reposição de nicotina mais comum é feita através de adesivos de nicotina, mas também já existem no mercado chicletes, pastilhas e sprays nasal de nicotina. "Esse método lança no organismo a quantidade de nicotina que ele está acostumado a receber através do cigarro, mas vai diminuindo gradualmente", conta.
A bupropiona passou a ser utilizada no tratamento de fumantes depois que se notou que, como efeito colateral, ele amenizava os sintomas da abstinência do tabaco. "Ele aumenta a concentração de serotonina, noradrenalina e dopamina, diminuindo a ansiedade e a angústia e simulando a sensação de prazer da nicotina", esclarece o especialista.
Segundo ele, a escolha do tratamento do tabagismo deve ser individualizada, de acordo com o grau de subordinação ao cigarro de cada paciente. "Quando a dependência é muito forte, é necessária a terapia tríplice, que combina vareniclina, adesivo e bupropiona. Pode ser preciso até um acompanhamento psicológico ou psiquiátrico", afirma. (J.G.)

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