Dezessete anos depois, a Prefeitura de Londrina está cobrando da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) o montante de R$ 452.465,65, valor corrigido relativo a convênio firmado em 1999 com a Codel para a realização da campanha Londrinatal, que incluía decoração natalina, da Casa do Papai Noel, do Lago Igapó e shows pirotécnicos. A ação, distribuída à 1ª Vara da Fazenda Pública, foi protocolada em 26 de setembro.
O então presidente da Acil, Valter Orsi, que disputou a prefeitura pelo PSDB e acabou derrotado por Marcelo Belinati (PP), chegou a ser incluído no polo passivo, mas a Procuradoria-Geral do Município (PGM) requisitou a retirada do nome de Orsi da ação, com o argumento de que o Tribunal de Justiça (TJ) entende que ex-presidente de entidade não é figura legítima para fazer o ressarcimento do erário, mas somente a entidade.
A PGM requereu a indisponibilidade de bens da Acil. Porém, o juiz Marcos José Vieira não analisou o pedido. Ele suspendeu o processo em razão de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a paralisação de todas as demandas que tramitam no País sobre a "prescritibilidade das ações de ressarcimento ao erário fundadas em atos tipificados como ilícitos de improbidade administrativa". Como eventuais atos de improbidade em razão da suposta irregularidade na prestação de contas já estariam prescritos - o prazo é de cinco anos, o juiz determinou a suspensão do processo até o julgamento do recurso no STF.
O convênio, de 1999, quando Antonio Belinati era prefeito, repassou R$ 290 mil à Acil, mas, segundo a Controladoria-Geral, a prestação de contas foi inconsistente, conforme relatório de auditoria de 2002, e a recomendação foi para que a entidade devolvesse o valor. Porém, nada foi feito ao longo dos anos para cobrar a Acil – o atual procurador-geral, Paulo César Valle, chegou a afirmar que o procedimento ficou extraviado.
O fato somente se tornou público este ano, quando Orsi, apoiado pelo prefeito Alexandre Kireeff (PSD), já havia se declarado candidato. Em entrevista anterior, o ex-presidente da Acil e o atual, Cláudio Tedeschi, disseram que não se tratava de irregularidade ou desvio, mas apenas de divergência na interpretação na prestação de contas.


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