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Política
31/07/2012

Pela 2 vez na história de Londrina, Câmara cassa prefeito

Em meio a manobras jurídicas e políticas, Barbosa Neto teve o mandato cassado com 13 votos após mais de 12 horas de sessão

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Em uma sessão arrastada e cheia de manobras políticas e jurídicas, os vereadores de Londrina cassaram ontem o mandato do prefeito Barbosa Neto (PDT). É o segundo prefeito cassado pela Câmara na história da cidade - Antonio Belinati teve o mandato cassado em 2000. Mesmo sem consenso de seus advogados, Barbosa se defendeu no plenário alegando que o parecer da Comissão Processante (CP) da Centronic, que aponta sua responsabilidade porque ele não fiscalizou os contratos da empresa de segurança com o município, ''é leviana''. Enquanto o prefeito falava, as pessoas nas galerias favoráveis à cassação ficaram de costas. Os argumentos não convenceram, e o prefeito foi cassado por 13 votos após as mais de 12 horas de sessão. O vice-prefeito Joaquim Ribeiro pode assumir a Prefeitura ainda hoje.

Eram necessários exatamente 13 votos para cassar o mandato de Barbosa - que foi julgado politicamente após o relatório final da CP ter apontado infração político-administrativa por conta de dois vigias que teriam sido pagos pelo município (através do contrato entre a Centronic e a Prefeitura de Londrina), mas que trabalharam exclusivamente na rádio da família de Barbosa, a Rádio Brasil Sul.
A sessão começou às 9 horas e só terminou às 21h30. Às 16 horas todo o processo levantado pela CP - que contou com os vereadores Roberto Kanashiro (PSDB), presidente, Sandra Graça (PP), relatora, e Antenor Ribeiro (PSC), membro - começou a ser lido por assessores da Câmara.
O prefeito só chegou à Casa quando faltavam poucas páginas para a finalização da leitura, por volta das 19h30, e logo foi vaiado pelas galerias. Aparentando tranquilidade, Barbosa entrou no plenário e cumprimentou cada um dos vereadores presentes. Quando foi cumprimentar o vereador Joel Garcia (PP), o pepista virou as costas para Barbosa. Assim que o prefeito chegou, a defesa solicitou a dispensa da leitura dos documentos restantes.
Após essa leitura, os vereadores poderiam pedir a palavra para se pronunciarem, antes da defesa tomar a palavra, mas somente o vereador Eloir Valença (PHS) se manifestou. Em seu discurso, de cinco minutos, ele alegou ter conversado com um jurista e ter entendido que ''o que estava acontecendo na Câmara era um grande equívoco''. Ele também foi vaiado pelas galerias.
O prefeito usou 45 dos 60 minutos que tinha para se defender reafirmando sua versão do caso Centronic, de que havia uma permuta que a rádio tinha com a empresa de segurança e que os funcionários do contrato com a prefeitura que foram enviados para trabalharem na rádio pela empresa fizeram esse trabalho como ''biqueiros''. ''Mas não houve irregularidade, não houve desvio de dinheiro, não houve enriquecimento ilícito'', defendeu.
Os outros 15 minutos foram usados pelo advogado do prefeito que acompanhou desde o início o processo, Rodrigo Sánchez Rios, que reafirmou que a investigação não encontrou nenhuma irregularidade ligada a Barbosa Neto.
Na votação aberta e nominal, chamada por ordem alfabética, 12 vereadores tinham votado sim, dois votaram não e houve três abstenções, quando o vereador Tito Valle (PMDB) selou o destino do pedetista, optando pela cassação do mandato. O vereador Sebastião dos Metalúrgicos (PDT) está licenciado do cargo e por isso não votou.



Paula Barbosa Ocanha
Reportagem Local
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