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Política
19/05/2017

Aécio é afastado do cargo de senador e deixa comando do PSDB

Tucano diz que vai se defender da denúncia do MPF de que teria sido gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, dono da JBS

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Andressa Anholete/AFP
Andressa Anholete/AFP - Aécio disse que vai provar sua inocência e
Aécio disse que vai provar sua inocência e "resgatar a honra e a dignidade que construiu em mais de 30 anos de vida dedicada à política"


Brasília - O STF (Supremo Tribunal Federal) determinou nesta quinta-feira (18) o afastamento de Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, do cargo de senador.
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Ele aparece, segundo reportagem do jornal "O Globo", em gravação pedindo R$ 2 milhões a donos do frigorífico JBS, que firmaram acordo de delação premiada já homologado pelo STF.
Também foi afastado, a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República), o deputado Rocha Loures (PMDB-PR), um dos assessores mais próximos do presidente Michel Temer, que teria sido filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil.
Foram cumpridos oito mandados de prisão, todas preventivas, ou seja, sem data para terminar. Um dele foi expedido contra Andrea Neves, irmão do senador e seu braço direito na política, e outro contra o primo dele Frederico Pacheco de Medeiros.
Segundo as investigações, Medeiros recebeu o dinheiro que o empresário Joesley Batista direcionou a Aécio, e Andrea pediu o repasse em nome do irmão.
Outros presos são uma irmã de Lúcio Funaro chamada Roberta e Mendherson Lima, assessor do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).
Funaro é apontado como operador do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os dois foram alvos de pedidos de prisão, mas já estão detidos desde o ano passado.
Também foi preso o procurador Ângelo Goulart, da Procuradoria-Geral Eleitoral, suspeito de se infiltrar em investigação relacionada a JBS.
A PGR chegou a pedir a prisão do senador Aécio Neves, mas o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, negou o pedido.
O caso só será levado para deliberação do plenário do STF se houver um recurso da PGR, o que ainda não ocorreu. Na decisão, Fachin proibiu Aécio de ter contato com qualquer outro investigado e de deixar o país.
Outros alvos foram Altair Alves Pinto, homem de confiança de Cunha que teria recebido repasses destinados ao ex-deputado, e o coronel João Baptista Lima Filho, ligado a Temer. Houve busca e apreensão na casa dos dois, mas nenhum deles foi detido.
Entre o material coletado pela PF estão R$ 2 milhões em dinheiro vivo, sendo R$ 1,6 milhão encontrado na casa da irmã de Funaro.
Nos pedidos encaminhados ao STF, o procurador-geral, Rodrigo Janot, disse que "os elementos de prova revelam que alguns políticos continuam a utilizar a estrutura partidária e o cargo para cometerem crimes".
Afirmou também que está perplexo com os fatos ocorridos que demonstram "que o esperado efeito depurador e dissuasório das investigações e da atuação do Poder Judiciário lamentavelmente não vem ocorrendo".
Ao todo foram expedidos 49 mandados judiciais para serem cumpridos em Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Maranhão, além do Distrito Federal.
Por volta das 6h desta quinta, Janot telefonou para o presidente do senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), para informá-lo de que era preciso fazer a operação. Acertaram que a polícia legislativa acompanharia os policiais federais no Congresso.
A operação foi batizada de Patmos. O nome é uma referência a uma pequena ilha da Grécia no mar Egeu, conhecida por seu o local para onde o apóstolo João foi exilado. Ali, João recebeu as revelações do apocalipse.

OUTRO LADO
Em nota, Aécio disse que se afastará da presidência do PSDB para provar sua inocência, a de seus familiares e "resgatar a honra e a dignidade que construiu em mais de 30 anos de vida dedicada à política".
A defesa do senador confirmou o pedido do dinheiro, mas disse se tratar de um empréstimo pessoal e que houve uma "descontextualização" da fala do parlamentar. A defesa da irmã dele, Andrea Neves, afirmou que o delator usou relação pessoal para obter benefício.
José Luis de Oliveira Lima, advogado de Rocha Loures, disse que "todos os esclarecimentos devidos serão apresentados pelo deputado".
Em vídeo, o senador Zezé Perrela disse que nunca falou com Joesley Batista e pessoas ligadas a empresa dele.
As defesas dos demais citados não foram encontradas.
Folhapress
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A afirmação do empresário foi feita durante o depoimento em abril, no âmbito de sua delação premiada, no contexto em que Joesley explicava a conversa que teve com o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) sobre o pagamento de propinas ao grupo do PMDB

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