Prodígios no desenvolvimento de games
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quarta-feira, 21 de maio de 2014
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
O inglês Nick D´Aloísio, 17 anos, se tornou um jovem milionário ao vender, no ano passado, um aplicativo que resume notícias da internet chamado Summly para o Yahoo!. Em Brasília, um menino de apenas 13 anos já disponibilizou pelo menos três aplicativos na loja de aplicativos da Apple através do seu pai. Nos Estados Unidos, um garoto de apenas 8 anos criou um app para Windows Phone que faz listas com desenhos animados publicados no YouTube, chamado Kids Zone. Tornou-se comum se deparar com uma notícia de algum garoto que desenvolveu um aplicativo ou jogo para celular.
Lucas Longo, CEO do Instituto de Artes Interativas (iai?) de São Paulo, que oferece cursos de programação, diz que estas notícias devem ser vistas com um pouco de ceticismo. "Não sei até que ponto pode-se dizer que a criança de fato programou um aplicativo. Ele pode ter usado ferramentas que auxiliam a criação, o que não tira o seu mérito."
Mesmo assim, no instituto, alunos a partir dos 8 anos já podem participar de um curso chamado "Meu primeiro game". Na opinião de Lucas, a popularidade dos aplicativos móveis e a facilidade de disponibilizá-la ao público por meio das lojas de apps foram os fatores responsáveis pelo aumento do interesse em programação, inclusive pelos mais novos.
Para ele, as crianças são tão capazes de codificar, que programação deveria ser ensinada na escola, junto a outras disciplinas como português e matemática. "Aprender programação é tão benéfico quanto aprender um outro idioma." Escrever linhas de código, segundo ele, faz desenvolver o raciocínio lógico, capacita a criança a resolver problemas e a ter mais persistência. "Esta capacidade de encontrar e resolver problemas se torna muito aguçada."
Em Londrina, a Microcamp oferece curso de desenvolvimento de games para crianças a partir dos 12 anos de idade. Para o professor do curso, Alisson Rocha Trindade, a partir desta idade o aluno já é capaz de aprender o necessário para o desenvolvimento de jogos em nível profissional. "Hoje a criança já nasce com o computador como brinquedo, então está familiarizado com a tecnologia."
Na sua opinião, o que leva os jovens a aprender a programar cada vez mais cedo é a curiosidade em descobrir como se faz algo que eles gostam tanto, que é o game. "Além disso é possível encontrar muita coisa pronta na internet. Se a pessoa aprender a programar um pouco, vai adaptar aquilo ao que quer e por isso não é impossível crianças desenvolverem jogos."
Júlio César Cardoso, de 14 anos, por exemplo, chegou ao curso já sabendo usar uma ferramenta utilizada para modelagem de jogos. "Queria saber como funcionava um jogo, pesquisei, descobri esta ferramenta e estudei como ela funciona." Victor Matheus Garcia, de 15, é autodidata em edição de vídeos. Já Pedro Gabriel Soares, de 15, inspirou-se assistindo vídeos sobre a atividade do desenvolvedor de games. "Acho que desenvolver um game é tranquilo. É só ter conhecimento."
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