Depois dos professores, alunos da UEM (Universidade Estadual de Maringá) também decidiram paralisar as atividades acadêmicas por tempo indeterminado. A greve estudantil foi aprovada na terça-feira (7), em assembleia convocada pelo DCE (Diretório Central dos Estudantes), e teve início nesta quarta-feira (8). Além do apoio aos docentes, que estão de braços cruzados desde a última segunda-feira (6) por maior transparência em relação ao plano de carreira da categoria, o movimento discente elaborou uma pauta própria de reivindicações que tem como objetivo a melhoria das condições acadêmicas.

Enquanto cobram a construção da moradia estudantil, a redução do preço das refeições servidas no RU (Restaurante Universitário), a melhoria na infraestrutura e materiais básicos para os cursos de graduação, a retomada de obras abandonadas e o aumento do quadro de professores efetivos, os alunos pedem a suspensão imediata do calendário acadêmico.

A iniciativa da paralisação estudantil partiu do DCE da UEM e conta com o apoio de diversos centros acadêmicos e coletivos estudantis da instituição.

No primeiro dia de paralisação, os estudantes estiveram na reitoria para pressionar os membros do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão a incluírem na pauta de sua reunião o cancelamento imediato do calendário acadêmico da universidade, medida considerada por eles como fundamental para garantir aos alunos o direito à greve e a participação nas atividades pautadas pelo movimento. O tema, no entanto, não foi incluído na pauta do conselho.

PROFESSORES

Na última segunda-feira, os professores da UEM decidiram retomar a greve suspensa em 15 de maio, uma espécie de trégua até que o governo do Estado apresentasse o PCCS (Plano de Cargos, Carreiras e Salários).

O governador Ratinho Junior anunciou, na semana passada, um projeto de lei estabelecendo índices de reajuste aos pagamentos adicionais por titulação. Pela proposta, docentes com especialização passam a receber um adicional de 30%, os mestres, de 60%, e os doutores, 105%. Atualmente, os percentuais são de 25%, 50% e 80%, respectivamente.

O Sesduem (Seção Sindical dos Docentes da UEM), no entanto, cobra maior clareza e transparência em relação à medida que altera o PCCS da categoria. Segundo a entidade, o governo ainda não apresentou a minuta do plano de carreira, o que deve ser o ponto de partida para o início de uma negociação. Nas redes sociais, o presidente do sindicato, Thiago Fanelli Ferraiol, divulgou um vídeo no qual afirma que até o momento a discussão sobre as alterações no PCCS só foram apresentadas aos membros do governo e aos reitores das universidades.

Assim que a minuta do projeto for apresentada aos docentes, afirma o Sesduem, uma assembleia deverá ser marcada para que a categoria delibere sobre a aceitação ou não do novo modelo.

REITORIA

Em nota encaminhada pela assessoria de imprensa, a reitoria da UEM manifestou seu respeito ao direito constitucional de greve e expressou solidariedade ao movimento, mas reforçou que as atividades administrativas seguem em funcionamento, assim como todos os serviços considerados essenciais.

ESTUDANTES

Antônio Nascimento, representante do DCE da UEM, disse que desde o momento da deflagração da greve estudantil, eles estão realizando mobilizações, como a ocupação do bloco do curso de Geografia. “A gente deflagrou greve em solidariedade à pauta docente, do reajuste salarial, mas também incluindo pautas próprias dos estudantes”, explica, reforçando que uma das cobranças é pela data de início da construção da moradia estudantil, que é uma solicitação que já está há mais de 10 anos sem ser atendida.

O representante do DCE também coloca como pauta estudantil a redução do valor da refeição no restaurante universitário, que custa R$ 5. Além disso, os estudantes também defendem a contratação de professores e funcionários. Ele aponta que obras de manutenção da instituição, como em laboratórios, estão paradas por conta da falta de profissionais. “Vários serviços de roçada e limpeza do campus estão atrasados, o que fez inclusive com que a reitoria fizesse um processo de voluntários para limpar o campus”, explica. Nascimento também esclarece que eles cobram a realização de concursos públicos para a “contratação de professores efetivos o mais rápido possível para acabar com a superexploração dos professores temporários”.

O representante do DCE acrescenta que a greve estudantil foi aprovada por mais de 500 alunos e que na próxima segunda-feira (13) haverá uma manifestação junto aos docentes, que deve sair da universidade e seguir até o terminal da cidade.