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Folha Rural
07/10/2017

Plantando atrasado, mas com esperança

Após estiagem que atrasou o ritmo de plantio da safra de verão, produtores torcem para que chuva se normalize em outubro e que preços melhorem para comercialização dos grãos

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Ricardo Chicarelli
Ricardo Chicarelli - A área da soja este ano será de 5,4 milhões de hectares, alta de 3%, com uma produção de 19,5 milhões de toneladas, queda de 2% em comparação a 2016
A área da soja este ano será de 5,4 milhões de hectares, alta de 3%, com uma produção de 19,5 milhões de toneladas, queda de 2% em comparação a 2016


Plantio atrasado e o produtor numa mistura de otimismo e pé-atrás em relação à safra de verão 2017/18. Esta tem sido a tônica quando se pensa em grãos no Paraná após o clima seco – de quase 40 dias sem chuvas regulares – principalmente durante o mês de setembro, quando encerrou o vazio sanitário e assim liberou que muitos produtores já iniciassem o plantio de soja.
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É bem verdade que o mês de outubro começou com chuvas importantes e que o Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento) confirmou que o ritmo de plantio chegou a níveis similares ao ano passado: 16% para a soja e 33% para o milho verão. Entretanto, produtores relatam que este atraso de quase um mês na lavoura pode influenciar diretamente nos níveis de produtividade, que foram excelentes na safra 2016/17. Isso em algumas regiões, como é o caso do Oeste. No Norte, especialistas dizem que outubro é a melhor época para iniciar o plantio, portanto, nada de prejuízos.

De acordo com o Deral, a área destinada para a soja este ano será de 5,4 milhões de hectares, alta de 3%, com uma produção de 19,5 milhões de toneladas, queda de 2% em comparação ao ano passado. Já a produtividade estimada é de 3.581 kg/ha, uma retração de 5%. Para o milho primeira safra, a área é de 343,4 mil há (-33%) para uma produção de 3,1 milhões de toneladas (-37%). No total, a expectativa é de 23,2 milhões de toneladas de grãos de verão, 8% a menos ao colhido na safra anterior.



O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Paraná (Aprosoja-PR), José Sismeiro, salienta que o atraso para fazer o plantio da soja foi grande. Ele relata que no dia 10 de setembro, fim do vazio sanitário, já era possível ter plantas de soja nascidas na lavoura. "Conseguir essa data foi uma vitória porque conseguimos escapar do maior ataque da ferrugem, plantar mais no cedo, fazer menos aplicações de fungicidas, infelizmente isso não aconteceu este ano devido ao clima (seco)."

Com isso, a preocupação com a produtividade está no fato de que as variedades que seriam plantadas em setembro acabaram sendo plantadas em outubro. "Essa é nossa primeira interrogação, porque as plantas estão emergindo agora. Essas variedades, segundo a própria pesquisa, expressam maior produção quando plantadas lá atrás. A nossa expectativa é que acabe atingindo níveis de produtividade menores".

O outro problema é que os produtores já estão de olho lá no milho safrinha e a soja plantada atrasada vai acabar atrapalhando o plantio do cereal lá na frente. "Se tivéssemos a soja emergida no dia 10 de setembro, com certeza estaríamos colhendo até 10 de janeiro. Isso faria que plantássemos o milho nessa época, data em que ele também expressa o melhor potencial de produção. Agora também não temos essas expectativa tão alta para ele".

Sismeiro, que tem áreas de produção em três municípios do Estado – Goioerê, Juranda e Manuel Ribas – fechou 2016/17 com uma produtividade média de 176 sacas de soja por alqueire. "Se este ano eu fechar com essa mesma média nas propriedades, ficarei bem satisfeito", complementa.



Concentração do período de plantio preocupa
Informações do Deral justificam esse aumento tão rápido no índice de plantio devido aos produtores que na semana passada - mesmo antes da chuva - já tinham plantado áreas da oleaginosa na expectativa que as precipitações chegassem. É bem verdade que isso aconteceu, mas as precipitações ainda não foram suficientes para recompor a umidade do solo, segundo especialistas da área. Trata-se de um pequeno fôlego para o início do plantio.

O diretor do Deral, Francisco Carlos Simioni, relata que mesmo quem plantou no seco, com a chuva vindo logo na sequência, a situação acabou ficando favorável. "Quem conduz a propriedade com orientação da assistência técnica, seguindo a pesquisa, com plantio direto bem conduzido e preservação de água e solo ficou com um cenário mais regularizado. Mas se a seca tivesse se prolongado, e quem não teve esses cuidados técnicos, estaria com sérios problemas."

A partir de agora, a expectativa é que as chuvas continuem ao longo do mês de outubro, momento de maior concentração de plantio. "O problema está amenizado por alguns dias, mas é preciso uma continuidade de chuvas a cada 8 a 10 dias para a safra seguir normalmente", explica Simioni.

Outro problema sério – que só será possível avaliar apenas mais adiante – é que foi gerada uma concentração do plantio em datas próximas, sendo que os produtores vão acabar atingindo os estágios de desenvolvimento da cultura (floração, frutificação, maturação e colheita) todos ao mesmo tempo, o que pode ser prejudicial se houver eventos climáticos atípicos daqui para frente, pois afeta as lavouras nas mesmas condições em várias regiões do Estado. Assim, o prejuízo pode ser maior e concentrado. "Se tivermos um problema de excesso de chuva na colheita ou estiagem durante a floração ou frutificação, vai pegar todo mundo numa época só, reduzindo a produtividade, gerando interferência nos preços e menor arrecadação. Mas agora não é o momento de anteciparmos essa situação."

Segundo o economista do Deral, Marcelo Garrido, as perspectivas melhoram bem a partir de agora, porque pelo menos os produtores avançaram com o plantio nas regiões aptas. "A perspectiva é de avanço, não igual à área do ano passado. Não acredito que a perda de produtividade é o mais preocupante neste primeiro momento, estávamos mais atentos à perda de janela de plantio de cada região do Estado, já pensando também no milho safrinha."

Para Garrido, se o clima estabilizar agora de forma positiva, muitos desses problemas serão atenuados daqui para frente. "Vale dizer que ano passado tivemos um clima perfeito, um ano atípico pelo lado positivo, com a produção e produtividade ficando acima da nossa expectativa na primeira safra. Já na safra de inverno, tivemos alguns problemas."

Expectativa de outubro mais chuvoso
Depois de um mês de setembro que deixou os produtores de grãos com o sinal de alerta ligado acerca do que estava por vir, a situação de outubro inicia com uma perspetiva melhor, ou seja, a estiagem deve dar lugar a uma chuva mais recorrente, de acordo com informações do Instituto Meteorológico do Paraná (Simepar).

No final de setembro, o alento chegou: uma precipitação de 14 mm (milímetros) no dia 29 na região de Londrina. Entre os dias 1 e 2 de outubro, a chuva foi de 40 mm acumulados e a partir daí que a situação ficou positiva para a preparação do plantio. "Na região oeste, em Cascavel, foram mais de 150 mm neste período", relata o meteorologista do Simepar, Samuel Brown.

Nos próximos dias, existe a expectativa de um avanço da frente fria pelo Sul do País o que, segundo Brown, pode provocar chuvas mais frequentes na região Sul do Estado, com quedas mais isoladas no Norte e Noroeste, talvez não em volumes tão grandes como no início do mês. "E a partir do dia 9 já deve chegar nova frente fria. Dificilmente, em outubro, ficaremos 20 dias sem chuva, por exemplo. Cinco a sete dias, até tudo bem. Para o segundo semestre, em simulações menos confiáveis, indicam um bom volume de precipitações".

Em Londrina, a média de chuvas em outubro ficou na casa dos 150 mm nos últimos anos. Na opinião do meteorologista, este ano não deve ser diferente. "Acreditamos que não vai faltar chuva, pelo menos para a maior parte das cidades. Teremos frente frias com recorrência maior". Para o final do ano, existe uma tendência que o fenômeno climático La Niña retorne, mas de forma mais amena. "O efeito é mais para a seca, mas não será gritante. Não estamos observando uma tendência de falta de chuva e sim de tempo normalizado".
Victor Lopes
Reportagem Local
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