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Dar ou não dar mesada?

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As dúvidas em relação a educação financeira dos filhos costumam ser muitas. Aprender a trabalhar com o dinheiro, saber conferir o troco e poupar são conceitos bastante importantes para os pequenos e para isso a mesada costuma ser o mais indicado. Mas nem todos pensam dessa maneira. Pai de três filhos – Théo, 18, Davi, 16 e Maria, 13, o empreendedor serial e escritor João Kepler prega que crianças e adolescentes não recebam nenhum valor dos pais.

"A mesada em linhas gerais deixa a pessoa dependente daquilo, é como se fosse um salário. Acredito que devemos deixar a criança preparada para conseguir dinheiro e não ficar esperando por ele. Esse é o lado negativo da coisa. Ela aprende a controlar o dinheiro com a mesada, mas pode aprender a controlar o dinheiro que ganha de outra forma", explica ele, que prega justamente o que fez em casa.

Kepler conta que seus filhos aprenderam desde cedo a empreender e não se lembra da última vez que lhe pediram dinheiro. Enquanto o mais velho tem três empresas ligadas ao entretenimento, o filho do meio tem uma startup de material escolar e a caçula trabalha com doces.

Ele também critica os pais que "blindam" a criança, de forma que esta não perceba o que acontece fora de casa. "O jovem não sente o clima externo, mesmo com crise não falta dinheiro, mas o mundo não é assim. Precisamos ensinar o jovem a pensar para resolver problemas. Empreender não é só fazer negócio, é buscar resultados, olhar as perspectivas."

Ele ressalta que muitos pais não têm o perfil empreendedor também, mas é preciso estimular a criatividade, uma forma de empreendedorismo. "Precisamos falar sobre as coisas, desenvolver outras habilidades. Os pais não devem dizer: eu ‘preciso’ ir trabalhar, já começa errado. Os pais devem ser mentores, fazer perguntas, porque isso gera a vontade de se posicionar, não é só mandar. Tem criança que não consegue se posicionar, mas isso é uma exceção", diz.

Kepler explica que o conceito pode ser aplicado por qualquer pessoa, independente de etnia e classe social, assim como idade. Obviamente que crianças muito pequenas não irão empreender e nesses casos os pais podem dar dinheiro de forma pontual, ensinando como lidar com o dinheiro, falando sobre investimento e sobre poupar. "Precisamos ser um país de economia, não de gastos", destaca.

'Não é só dinheiro'
Autor do livro "Mesada não é só dinheiro", o educador financeiro Reinaldo Domingos explica que mesada pode ser a doação de qualquer quantidade de dinheiro para outra pessoa, seja uma criança ou adulto.

"A mesada ajuda a entender que o dinheiro deve ter parte guardada para comprar algo que se queira muito e o restante pode ser gasto como a criança quiser. Ela ajuda a aprender como lidar com o dinheiro, assim, quando o jovem receber seu salário já deve estar sabendo como gastar. Isso é muito importante nesse momento que estamos vivendo. Ao contrário do que muitos pensam, dinheiro é para a mão de criança sim, porque depois de adulta, com o salário vem o crédito fácil e ela precisa estar preparada para isso", diz.

Domingos ensina que a partir dos 3 anos de idade e até a criança estar alfabetizada a mesada deve ser voluntária, sem valores estabelecidos. Nessa fase a criança pode ganhar duas moedas e aprender que uma deve ser guardada e a outra pode ser gasta.

Quando a criança já estiver alfabetizada, os pais devem anotar em segredo todos os valores solicitados, com exceção daqueles destinados ao lanche escolar caso a criança precise comprá-lo todos os dias. Ao final do mês, esses valores devem ser somados e essa soma será o valor da mesada.

"Por exemplo, se uma criança gastou R$ 100, os pais devem chamá-la, elogiá-la e dizer que a partir daquele momento ela vai começar a receber mesada. Metade desse valor deve ser guardado para a realização de um sonho e a outra metade será para os gastos do mês. Caso esse valor acabe antes, a criança deve saber que não irá ganhar mais, porém, os pais devem se atentar para que ela não se torne alguém mesquinha, por isso a liberdade de usar metade do valor para o que desejar."

Ele ressalta que nunca se deve atrelar qualquer tipo de obrigação da criança, como estudar ou ajudar nos deveres domésticos, a pagamentos em dinheiro. "Mesada não é salário", reforça. Outro ensinamento importante é que os filhos aprendam a importância de pedir nota fiscal em suas compras, devido à geração de impostos.

Outro erro bastante comum, cometido principalmente por parentes próximos, como avós e tios, é ceder à tentação de comprar para a criança aquilo que ela deseja e para o qual está poupando. Domingos também ressalta que em hipótese alguma os pais devem usar do dinheiro das crianças para as contas da casa e diz que mesmo os pais que não podem dar valores em dinheiro todos os meses para os filhos podem ensiná-los a poupar.

"Temos a mesada econômica, por exemplo. A família economiza nas contas e o valor que sobrar, metade irá para a casa e a outra metade irá para o filho. Na mesada de terceiros, tudo que a criança ganha em dinheiro em datas comemorativas deve ser dividido por dois, sendo metade poupada e metade para o consumo. Os pais podem fazer também a mesada de troca, escolhendo brinquedos e chamando colegas para trocarem. E temos a mesada ecológica também, que faz bem para o planeta e ensina sobre o empreendedorismo. A família separa materiais para reciclagem, que são vendidos posteriormente. E temos a mesada social, que é quando os pais passam mais tempo com seus filhos. Eles não precisam ir para shopping, o que criança quer é um tempo para brincar com os pais", finaliza. (E.G)

'Ela sabe que não adianta me pedir mais'
Depois de ver a filha Mariana, 11, começar a gastar sem muito critério valores recebidos como presente de aniversário, a química Franciele Barbieri decidiu que a mesada seria uma boa forma de educar a menina. "Ela fez aniversário em junho e começou a gastar muito, de forma inadequada. Achei que ela precisava a aprender a pensar no futuro e que a mesada poderia ajudar nisso. Mas fiquei em dúvida sobre qual valor dar e acabei me decidindo por R$ 20. Entretanto, disse que se ela guardar de um mês para o outro, irei pagar juros sobre esse valor no mês seguinte, que estipulei em 5% ", explica.

O desejo de comprar um novo aparelho celular tem sido a motivação da adolescente para poupar os valores, segundo a mãe, que conta que uma das dúvidas de Mariana era se ela precisaria comprar o próprio material escolar. "Eu disse que isso não, mas que a mesada será para gastos pessoais, como acessórios, cinema e lanches. Está dando super certo, há uns três meses ela não tem gastado tudo porque entendeu que se gasta tudo, vai demorar mais para comprar o celular."

Barbieri diz que a filha fez as contas e ficou um pouco desanimada ao perceber que terá que esperar para comprar o aparelho, mas como ainda haverá datas comemorativas até o Natal, acredita que ela conseguirá conquistar o sonho em breve, ganhando presentes em dinheiro.

"Eu também disse que podemos reavaliar esse valor no ano que vem. Ela sabe que não adianta me pedir mais, que não irei dar e já fez uma planilha com todos os valores, já que o dinheiro dela está depositado no banco. Quero que ela aprenda o valor das coisas e como é difícil conquistarmos. Há pouco tempo ela insistiu em ganhar um overboard, eu comprei e ela não valorizou tanto."

A química diz que embora não tenha ganhado mesada quando criança, apenas alguns presentes em dinheiro de forma pontual, aprendeu com seu pai a poupar. "Ele sempre me falava para não gastar à toa e para pagar as coisas à vista. Meu único bem comprado parcelado foi meu carro, mas pretendo me programar para quando trocar, pagar tudo de uma vez." (E.G)
Érika Gonçalves
Reportagem Local
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