No compasso do flamenco
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sábado, 25 de junho de 2016
Karla Matida<br> Reportagem Local 
Oficialmente, a data de aniversário é em fevereiro de 2017, mas Michel Cássin decidiu dar início às comemorações dos 20 anos da sua companhia de dança com meses de antecedência. Em maio, a primeira das ações festivas foi um marco em sua trajetória: o lançamento da grife Andalucía. Claro que como tudo que gira em torno de Cássin, a estreia fashion tem tudo a ver com o universo flamenco.
Mas a verdade é que as duas décadas que já começaram a ser celebradas são apenas parte da história dele com a dança flamenca. A paixão, aliás, foi descoberta logo no início da sua carreira de bailarino. Nascido em Maringá, Cássin descobriu aos 12 anos a carreira que seguiria. Matriculado na icônica escola Ballet Regina Mundi, foi iniciado na dança com o balé clássico.
"Um dia fui convidado a participar de uma aula de dança espanhola e foi paixão à primeira vista", conta Cássin, que tem sangue árabe, do lado paterno, e espanhol, do lado materno. "O contato com as duas culturas eu tenho desde pequeno, não com a dança, mas com a música. Mas no final estava tudo ali", explica.
Da dança espanhola para o flamenco foi uma transição natural. "Eu estava dançando em Assunção (Paraguai) e o Felipe Sanches, que na época era um dos coreógrafos do Balé Nacional da Espanha, veio falar comigo que eu deveria investir no flamenco. "Na dança espanhola, eles pegam uma música, fazem uma coreografia e usam passos clássicos com as castanholas. Já o flamenco muda, tem toda uma técnica", diz.
"Durante um tempo fiz aula com ele (Sanches) em Assunção e depois fui pesquisar onde teria aula no Paraná. Descobri a La Morita, em Curitiba, uma das pioneiras do flamenco no Paraná. Durante anos eu ficava duas a três semanas por mês em Curitiba", lembra. "Meu pai queria muito que eu fosse médico, então tudo era destinado para eu ir para a área da saúde. Quando eu descobri que era a dança que eu gostava, foi muito difícil para mim eu ter que assumir isso, sabia que meu pai não iria aceitar."
"Desde quando descobri que era a dança que eu queria, não deixei de lutar por isso nenhum dia da minha vida", lembra. "Então comecei a trabalhar no balé para poder ficar mais próximo de tudo", diz. "Quando cheguei ao ápice do grupo mais avançado e descobri que também conseguia coreografar, senti que já poderia abrir a minha escola."
Ao invés de criar uma concorrência na cidade natal, Cássin otpou por pegar a estrada e se estabelecer em Londrina. "Mandei currículos para algumas escolas de dança daqui e vim com a cara e a coragem. Foi uma tacada no escuro, tinha só dois ou três alunos", lembra, sobre a mudança em 1996. Ele conta que montou seu primeiro espetáculo quando reuniu umas 10 alunas com formação em balé clássico.
"Eu era muito novo quando cheguei no Ouro Verde para marcar uma data e eles acabaram me dando uma segunda-feira. Achei aquilo tão desafiador que pedi a terça-feira também. Em oito meses montei o espetáculo e lotou os dois dias", relata. "Como elas já tinham formação no balé clássico, pulamos uma etapa para eu poder mostrar meu trabalho. Depois fui voltando e dando a parte técnica e todo o suporte. Fizemos o processo meio inverso na época. Hoje não, é tudo certinho até porque já tem as meninas da companhia."
As alunas matriculadas na escola têm a possibilidade de participar da companhia de dança de Cássin. "É o estágio mais avançado, é o grupo que se apresenta nos casamentos, que viaja para os festivais", explica o professor. Um deles é o Festival de Dança de Joinville, que acontece no mês que vem em Santa Catarina. "Já faz uns oito anos consecutivos que somos aprovados para participar do maior festival de dança do mundo", orgulha-se.
Além da trupe da própria companhia, Cássin também embarca para Joinville com o Ballet da Fundação Cultural de Ibiporã, que terá a honra de se apresentar no palco principal do Festival. "Serão três coreografias porque também levo o pessoal de Maringá", avisa. Há 15 anos, o professor foi convidado a retornar à sua terra natal para comandar uma turma. "Dou aulas lá uma vez por semana."
"Dez por cento é genialidade, criatividade, os outros 90% são de muito esforço, tem que trabalhar muito", ensina Cássin, uma referência em flamenco não só no Paraná, como em outros estados. "As pessoas acompanham meu trabalho pela internet. Há profissionais maravilhosos no Brasil, às vezes eu olho e me acho pequenininho perto deles, mas daí eles me colocam no grupo", sorri.
Sobre o lançamento da Andalucía, o coreógrafo conta que "sempre gostei de fazer os figurinos dos espetáculos. Não desenho muito bem, mas sei montar a ideia". O início da grife tem a base nas saias e vestidos em malhas. "Já temos encomendas", avisa Cássin, que planeja vender não só em território nacional como além das fronteiras verde-e-amarelas.


