Tradição mantida
O médico Ricardo Sahão cresceu apreciando os diversos quitutes e pratos culinários de origem libanesa que a mãe fazia para a família e amigos, que sempre resultaram em inúmeros elogios à matriarca. Apesar de todo talento, durante todos esses anos, os conhecimentos estavam apenas na cabeça de dona Nádia Abib Sahão, que hoje está com 87 anos. "São receitas que minha avó ensinou para ela, mas de forma oral. E não se restringe a petiscos conhecidos, mas de uma gastronomia refinada que quase não se vê por aqui. Precisávamos documentar e materializar isso para que a cultura não se perdesse", conta o médico. Foi então que, depois de uma conversa com a mãe, decidiu correr atrás das burocracias e realizar o sonho da família.
Convidaram um chef local para que organizasse as receitas de forma didática e fazer comentários, e fotografaram todos os pratos desenvolvidos por dona Nádia. "Comprava os ingredientes e uma a uma, ia fazendo as receitas, na minha cozinha mesmo. O chef acompanhava o preparo, anotava tudo e, depois, o prato era fotografado por um profissional", conta dona Nádia, que preparou sozinha mais de 60 receitas para o livro, entre doces e salgados.
Com todo texto e imagens em mãos, a família procurou um diagramador para que desenvolvesse o layout das páginas. Pronta essa parte, o arquivo foi para a gráfica, onde também passou por um arte-finalista. Todo o material são 166 páginas - foi impresso em papel de alta qualidade, o que conferiu ainda mais requinte ao livro. "Não imaginava que tomaria essa proporção. Mas gostei muito."
Além da qualidade, a família preocupou-se em registrar o livro da Fundação da Biblioteca Nacional e contratar uma bibliotecária para confeccionar a ficha catalográfica. "Queríamos que tudo ficasse dentro das normas", diz o filho. Todo o processo, que demorou quase dois anos, custou o equivalente a um carro popular, mas segundo o médico, não é possível colocar valores e mensurar a alegria em ver o resultado e o sonho realizado. "Além de um projeto da família, agora, é um livro para o mundo."
No total, foram impressos 500 exemplares, que foram doados a três entidades de Londrina: Toca de Assis, Hospital do Câncer e Museu Histórico de Londrina. A verba oriunda da venda dos livros ficou para essas entidades. (M.T.)





