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Folha 2
14/11/2017
INTEGRAÇÃO SOCIAL

Professores aplicam letramento na realidade local

Programas gratuitos de letramento estão ao alcance das escolas, o ensino é feito a partir ações que levam em conta a realidade local

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Fotos: Valdirene Aparecida da Silva/ Divulgação
Fotos: Valdirene Aparecida da Silva/ Divulgação - Alunos da professora Valdirene Aparecida da Silva, de Cambé, limparam frases ofensivas das paredes, banheiros e carteiras, tudo foi substituído por poemas e desenhos
Alunos da professora Valdirene Aparecida da Silva, de Cambé, limparam frases ofensivas das paredes, banheiros e carteiras, tudo foi substituído por poemas e desenhos


Existem diversos projetos online gratuitos voltados à educação e formação de professores no Brasil. Dentre eles estão duas plataformas virtuais coordenadas pelo Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária): "Plataforma do Letramento" (www.plataformadoletramento.org.br) e "Escrevendo o Futuro" (www.escrevendoofuturo.org.br), ambas criadas com o objetivo de ser um espaço para a reflexão, disseminação e produção de conhecimento. Nestas ações está a formação de um ambiente de aprendizagem democrático, com conteúdos de acesso livre que busquem apoiar políticas, projetos e práticas relacionadas à ampliação do letramento de crianças, adolescentes, jovens e adultos, contribuindo para a melhoria do ensino da leitura e escrita nas escolas públicas de todo o país.
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Desde 2005, portanto, uma dessas ações, o Programa Escrevendo o Futuro, oferece cursos para educadores de todo o Brasil, por meio de um ambiente virtual de aprendizagem, que promove interação entre os usuários, disponibiliza materiais, metodologias e divulga notícias da área. No portal, educadores de todo o país envolvidos no ensino da Língua Portuguesa encontram subsídios para aprimorar o conhecimento, inovar suas estratégias de ensino, inspirar-se com outras experiências e compartilhar sucessos e desafios vivenciados na prática. Nesta plataforma são ofertados os cursos "Sequência didática: aprendendo por meio de resenhas", "Caminhos da Escrita" e "Leitura vai, escrita vem: práticas em sala de aula".

A coordenadora do "Caminhos da Escrita", Cristiane Mori, explica que o curso visa levar aos professores a organização do ensino de Língua Portuguesa em torno de práticas de letramento. "Isso garante que os alunos aprimorem não apenas a leitura, a produção de textos, a oralidade e a análise linguística, mas, sobretudo, que possam se colocar como protagonistas do processo de ensino-aprendizagem". Para isso, de acordo com ela, o curso está comprometido com a pedagogia dos multiletramentos, ou seja, nos projetos. "Então, necessariamente, o professor deverá considerar a multimodalidade, que significa as múltiplas linguagens (oral, escrita, imagem estática, imagem em movimento, som) que compõem os gêneros e a multiculturalidade". O curso engloba ainda a "Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro".

Ao longo das 14 semanas de curso, divididas em seis módulos, os cursistas têm acompanhamento diário dos mediadores em atividades individuais, fóruns e trabalhos em grupos que visam mostrar ao professor uma metodologia significativa de trabalho, partindo de uma demanda local e desenvolvida por meio de oficinas que compõem uma sequência didática e envolve uma rede de gêneros. "Assim, produzir e apreciar 'pixos' e grafites, por exemplo, poderá ser um projeto de letramento - na medida em que responde às necessidades dos alunos, às manifestações culturais que são significativas para eles - e permitem o trabalho com a linguagem oral e escrita", detalha.



Alunos limparam preconceitos até nos banheiros
Professora da rede estadual de ensino há mais de 25 anos, Valdirene Aparecida da Silva participou da formação em 2013 mas, anteriormente, já havia participado do curso Resenhas. "Depois de minha participação nesses cursos, minha prática ficou muito mais reflexiva. Já conhecia e aplicava (como imaginava ser) a sequência didática como metodologia nas aulas de Língua Portuguesa. No entanto, depois de começar a participar da Olimpíada da Língua Portuguesa e de aplicar em sala de aula as oficinas com os gêneros textuais, fui me aprimorando e adaptando os conhecimentos adquiridos às minhas turmas e a minha realidade local", relembra.

Ela conta que atua na Escola Estadual Valdir Umberto de Azevedo (Caic), de Cambé, desde 2001. A escola completará 25 anos em 2018 e está localizada em um bairro com alto índice de criminalidade, além de "carência financeira e afetiva". "Mesmo assim, a escola sempre se preocupou em trabalhar a autoestima dos alunos por meio de um projeto intitulado "Respeito é bom e todo mundo gosta, inclusive eu", combatendo todo e qualquer tipo de preconceito. Contudo, nos três últimos anos, o projeto não foi aplicado com a frequência de antes, por isso percebemos aumento de problemas de relacionamento e, consequentemente, prática de bullying".

Diante disso, a professora pensou em trabalhar o tema bullying, preconceito e vandalismo a partir de poemas, com o intuito de sensibilizar os alunos dos sextos anos, envolvê-los no trabalho e motivá-los a serem autores de sua realidade. "Iniciei explicando que durante o mês trabalharíamos o poema e a poesia. Perguntei a eles que tema acreditavam ser necessário abordarmos e, por incrível que pareça, eles falaram sobre a discriminação e o bullying pela aparência. Dialogando, descobri que se sentiam incomodados com os xingamentos e outras formas de violência contra alunos", detalha a professora.

Poemas criados pelos alunos a partir do projeto de Letramento que leva em consideração vários gêneros e linguagens
Poemas criados pelos alunos a partir do projeto de Letramento que leva em consideração vários gêneros e linguagens


O incômodo, conforme relatos dos alunos, acontecia até mesmo com o que encontravam escrito nas portas dos banheiros, nas paredes e carteiras. "Propus, então, que trabalhássemos o tema e o gênero poema/poesia com o objetivo de elaborar e espalhar pela escola, tentando sensibilizar e promover reflexão." Mas a ideia foi muito mais além e os alunos propuseram fazer uma pesquisa na escola sobre o tema, apagar os xingamentos de portas de banheiro, paredes e carteiras, montar um painel no qual pudessem expor textos, desenhos, frases, notícias. "Denominaram o painel "Preconceitofobia" para colarem mensagens, reportagens, cartazes. Iniciamos, assim, nosso caminho para a escrita de poemas, visando motivar a escrita e a autoria do aluno".

Ao mesmo tempo em que os alunos recuperavam as carteiras, portas e paredes, lixando, pintando e colando papeis próprios, em sala de aula, analisaram poemas, estudaram os recursos poéticos, assistiram a vídeos sobre o tema, entrevistaram pessoas e iniciaram as produções de poemas e frases positivas. "Fizeram reescritas, reformulações, adaptações e elaboraram paródias e teatros para falar sobre o bullying nas salas dos alunos menores. Montaram também um sarau para apresentarem os poemas, outros textos, teatros e danças sobre o tema. Envolveram toda a escola nessa parte. Já os poemas estão sendo colados por toda a escola. Isso, por sua vez, é um desafio, pois muito são riscados ou rasgados. Eles têm demonstrado muito empenho e não desanimam", pontua Valdirene, destacando outros projetos realizados com outros temas durante o ano, como o "trabalho com as tiras cômicas e as fábulas enlatadas", todas visando motivar a escrita e a autoria do aluno.
Marian Trigueiros
Reportagem Local
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