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Folha 2
ARTE LONDRINA 5

Ideias de um artista-etc

O artista, crítico e performer Ricardo Basbaum avalia o cenário contemporâneo, além de comentar a produção e os impasses de sua geração

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Fotos: Marcos Zanutto
Fotos: Marcos Zanutto
Ricardo Basbaum: "O trabalho não pode ser uma cifra"


Para Basbaum, o Brasil tem um problema histórico de país pós-colonial onde não há o hábito de distribuição do capital intelectual


Palco de exposições de arte contemporânea, o prédio da Divisão de Artes Plásticas da UEL – DaP - na Avenida JK, impressiona por sua arquitetura: as paredes cortadas por formas geométricas, as colunas redondas, a iluminação de museu e uma sinuosa escadaria. A camada de tinta branca que cobre praticamente todo o interior empurra qualquer visitante a um estado de contemplação. Ao longo desta semana, ecoou pelas salas amplas do prédio a voz influente de Ricardo Basbaum. O artista-multimídia, crítico e professor universitário paulistano, radicado no Rio de Janeiro, veio à Londrina para assumir, juntamente com o coordenador da DaP, Danillo Villa, a curadoria do edital Arte Londrina 5, que selecionará obras a serem expostas no espaço.
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Ao longo de 35 anos de carreira, Basbaum foi autor de instalações, intervenções, manifestos e performances tendo a sociabilidade e o isolamento humanos como pano de fundo. Recentemente sua instalação com título em inglês "Capsules (MBP x me-you)" foi montada no Tate, o museu de arte do Reino Unido, considerado um dos mais importantes do mundo.
Em entrevista à Folha 2, Basbaum fez um balanço de sua trajetória e avaliou o atual circuito de arte contemporânea, cujo protagonista é o "artista-etc", termo cunhado por ele que designa um tipo de artista complexo, que não apenas se responsabiliza pela produção da obra de arte, mas também pelo agenciamento, crítica, curadoria e pelo trabalho intelectual que permite desvendar as relações materiais e simbólicas que perpassam a arte.

O que o motivou a aceitar o convite de compor a curadoria do Arte Londrina 5?
Projetos como o Arte Londrina são importantes como forma de inclusão de artistas no circuito. Esse edital adquiriu uma importância nacional e no Brasil podemos dizer que existe uma produção de arte contemporânea consolidada no País, que corre riscos e experimenta. Mesmo diante das milhões de dificuldades que temos, a instabilidade das instituições e a falta de continuidade nos programas, o circuito de arte tem maturidade, com importante papel das universidades. Esse circuito de arte está, para o bem ou para o mal, globalizado e os artistas que estão aqui poderiam estar perfeitamente em outros países.

Você diz que a sua geração de artistas começou a produzir num contexto de fim das utopias. Por quê?
Eu sou da geração dos jovens que começou a produzir na década de 80. Foi a última fase da ditadura militar, não era um momento plenamente redemocratizado. A ditadura caiu pelas forças do mercado, o tal do capitalismo que se globaliza, o neoliberalismo. Minha geração foi muito bem recebida porque parecia que éramos jovens artistas que estávamos trazendo fôlego no momento da redemocratização.
Nessa época, diferente de outros colegas, eu deliberadamente não desenvolvi relação com o mercado da arte. Isso me deu liberdade de experimentar, de me desenvolver como um "intelectual livre", que é o artista que não fica preso apenas à obra, mas pensando o circuito da arte como um todo e fazendo o debate crítico. Fiz todas essas ações sem abandonar a posição de artista, mas me tornei um tipo de artista que é também curador, agenciador e organiza espaços independentes.

É daí que vem a ideia de "artista-etc"?
O "artista-etc" vem como resposta à divisão de atribuições típicas de uma situação de mercado, mas que é alheia ao artista. A poética se desdobra para papéis que estão fora das atribuições que o mercado dá. A ideia é que o artista não fique num espaço protegido, numa torre de marfim. Temos uma responsabilidade com o que fazemos, há uma questão coletiva, temos que reconhecer afinidades com colegas, com artistas através do tempo das gerações.
Esse artista está em constante tensão com o mercado. Temos que conciliar interesses do artista, do crítico, do teórico, do historiador e também do patrocinador. Podemos acreditar mais em um do que outro, mas todos estão aí concorrendo. O patrocinador, antes de dar a verba para o evento, vai querer saber qual público o artista vai atrair, sua idade, classe social e etc. Mas o artista nunca pode reduzir sua obra a uma mera mercadoria, porque você necessariamente produz algo de uma antimercadoria que fala de uma outra economia que não pode ser quantificada de maneira simples por uma cifra. O trabalho não pode ser uma cifra.

Como é produzir arte em um ambiente em que grande parte da população entende por artista apenas aquele que está na TV, no rádio ou publicou algum best-seller?
O Brasil tem um problema histórico de um país pós-colonial onde não há o hábito de distribuição do capital intelectual. Não é um problema da produção cultural simplesmente. Os artistas têm o papel de atuar nessa redistribuição, mas dependem de outras instituições. Quando se troca um prefeito, por exemplo, muda-se todo o aparato administrativo e a continuidade deixa de existir.
Em geral entendemos o espectador – com "s" - como quem apenas olha e observa, como num jogo de futebol ou um show em um estádio. Isso está associado ao "gostei" ou "não gostei", ao "foi pouca gente ou muita gente a um evento". O expectador – com "x" - está envolvido numa criação de expectativa, pode viver experiências ricas, como carregar o Parangolé do (Hélio) Oiticica ou participar de uma obra na condição de coautor. Assim, esse público que é tido como passivo na indústria cultural, adquire uma responsabilidade muito maior.
Murilo Pajolla
Especial para Folha2
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