Homenagem a Will Eisner
Quando Will Eisner desembarcou em Belo Horizonte para participar como convidado da 3ª Bienal Internacional de Quadrinhos, em outubro do ano passado, sentiu na pele que o projeto do filme-documentário sobre sua vida e obra estava finalmente saltando do papel.
Na ocasião, o maior cartunista do planeta foi instalado numa réplica do estúdio em que trabalhou na década de 40 em Nova York, tendo ainda que falar durante três horas para a equipe da produtora carioca Scriptorium encabeçada por Marisa Furtado e Paulo Serran.
Um ano depois, Will Eisner: Profissão Cartunista, como foi intitulado o documentário, avançou mais algumas etapas. Agora co-produzido pela TV Senac, que vai exibi-lo com exclusividade no próximo ano, o filme virou uma série de três episódios de 40 minutos de duração cada e batizados respectivamente de Sonho, Master Class e Spirit.
Eu vi o programa-piloto e foi amor à primeira vista - conta o supervisor de programação da emissora Robson Moreira, lembrando que o próprio nome do filme encaixou-se à proposta da rede de TV, que é voltado para o mundo do trabalho. Eisner é o mestre mundial dos quadrinhos. Não poderia deixar de bancar o projeto, especialmente pelo fato de sermos pioneiros, já que nenhuma TV do mundo produziu um documentário sobre ele.
Will Eisner: Profissão Cartunista foi idealizado há 8 anos, depois de uma visita que Marisa Furtado fez à casa do artista na cidade de Tamarac, na Flórida (EUA). De lá para cá, o projeto tomou fôlego reunindo um acervo de depoimentos de colegas de metiê de Eisner como os franceses Jano e Vuillemin e os brasileiros Ziraldo e Angeli; além de imagens colhidas no arquivo da Cartoon Research Library, da Universidade de Ohio (EUA).
Eisner, hoje com 81 anos, é um dos monumentos vivos do mundo dos quadrinhos. Inventou a expressão graphic novel para vender seu peixe e como uma forma de realçar o atributo artístico das HQs burlando o preconceito dos que as viam como mero entretenimento infantil. Teorizou sobre o gênero no livro Comics and Sequential Art, publicado em 1985.
Mais tarde, graphic novel foi incorporada pela terminologia especializada passando a batizar qualquer álbum luxuoso, impresso em cores e em papel de qualidade. A fama e o prestígio vieram com Spirit, personagem noir criado nos anos 40 e que inspirou o cineasta Orso Welles na concepção do ambiente de Cidadão Kane, saudado por dez entre dez críticos como o maior filme de todos os tempos.
É desde essa época que suas revistas chegam ao Brasil. Seus últimos lançamentos por aqui foram os livros A Princesa e o Sapo e A Baleia Branca, que são adaptações em quadrinhos dos originais dos irmãos Grimm e Herman Melville. Os dois volumes saíram no ano passado pela Companhia das Letras.
Nos próximos dias, segundo o supervisor de programação da TV Senac, a equipe de produção do documentário embarca para os Estados Unidos onde volta a se encontrar com o artista para flagrá-lo em casa em seu dia-a-dia. Durante a a viagem, deverão colher depoimentos de seu editor e de outras personalidades ligadas às artes gráficas.
O lançamento do filme, previsto para outubro de 99, será antecedido de uma semana de badalação no Centro de Comunicação e Artes do Senac, no bairro da Lapa, em São Paulo, com a presença do próprio homenageado e a realização de cursos, oficinas, workshops e palestras sobre cartum.ReproduçãoWill Eisner:
monumento
vivo do
mundo dos
quadrinhos,
ele criou
a expressão
graphic
novelNelson Sato





