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Folha 2

A arte essencial de Paulo Menten

Artista que completaria 90 anos neste sábado, deixou um acervo de milhares de obras; exposição no Museu Histórico relembra sua trajetória

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Fotos: Anderson Coelho
Fotos: Anderson Coelho - Exposição com 40 gravuras de Paulo Menten traz recortes de séries importantes como
Exposição com 40 gravuras de Paulo Menten traz recortes de séries importantes como "Noturno de Candelária" e "Temáticas Nordestinas"

"Você é obrigado a dominar uma técnica completamente para poder transpor a tua intimidade na matéria. E é através da matéria que você tem acesso às pessoas. A gente não ensina a fazer arte, mas ensina a assimilar a técnica para expressar a sensibilidade e a intuição." Esta fala do artista plástico e visual Paulo Menten é uma das que constam no curta-metragem "Paulo Menten", do cineasta Wagner Munhê, lançado em 2010.
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O filme mostra imagens raras do artista em seu ateliê, em Londrina, enquanto cria algumas obras, trabalha com as diversas ferramentas e suportes e datilografa em sua máquina de escrever. "Geralmente as pessoas pensam que o artista é uma coisa diferente, é uma espécie de anjo num paraíso maravilhoso. Mas não é nada disso, não. O artista tem que se desgastar no ambiente em que manipula as técnicas."

E disso não há dúvidas, tanto que é considerado o "mestre das gravuras" no Brasil. Era um artista nato, não tinha formação acadêmica. A obra de Paulo Menten, que completaria 90 anos neste 17 de junho, é complexa devido a quantidade de técnicas desenvolvidas (xilogravura, linoleogravura, litografia, serigrafia, pintura) e utilizadas nas mais diversas cores e materiais (madeira, pedra, chapa de alumínio). Da junção de sua personalidade com o material, surgiram personagens do imaginário brasileiro e momentos líricos do cotidiano. Há em sua obra, portanto, a própria linguagem fruto do chamado universo menteniano. Nascido em São Paulo, escolheu Londrina como cidade para criar e ensinar, onde morou mais de trinta anos, praticamente até sua morte.

Arquivo Folha/ 9-10-2002
Arquivo Folha/ 9-10-2002 - Paulo Menten:
Paulo Menten: "mestre da gravura" escolheu Londrina para viver e criar


Uma pequena amostragem dessa extensa obra pode ser conferida na exposição "Paulo Menten: 90 anos de gravura", que segue até 10 de julho, no Museu Histórico de Londrina. Tendo à frente como curador seu neto, Raphael Soares Menten teve a missão de escolher e disponibilizar cerca de 40 gravuras (muitas inéditas), matrizes, prensa, objetos pessoais e de trabalho para compor a exposição. A mostra divide-se em três momentos de etapas diferentes de sua vida: biográfica com obras de autorretrato em várias técnicas; obras voltadas para questões sociais com o recorte de séries importantes como "Noturno de Candelária" e "Temáticas Nordestinas"; e a última com vários processos criativos para mostrar a multiplicidade de técnicas utilizadas. O curta-metragem também será exibido no local.

Raphael Soares Menten, neto do artista e curador da mostra:
Raphael Soares Menten, neto do artista e curador da mostra:"Em nosso último encontro prometi que cuidaria de todo seu acervo e não venderia nada"


Ferramentas e objetos pessoais de Menten também integram a exposição
Ferramentas e objetos pessoais de Menten também integram a exposição


PRODUÇÃO
Paulo Menten morreu aos 83 anos, em 2011. Ao longo de sua vida produziu muito e comercializou pouco. Dizia que a profissão de artista plástico não existe, nem a profissão de artista como ganha pão. "A arte, antes de tudo, como profissão, é o bem fazer o trabalho de arte." Tanto é que o número imenso de cerca de 4 mil obras ainda estão no Atelier de Gravura Paulo Menten, que, há cinco anos, é cuidado pelo seu neto. "Em nosso último encontro prometi que cuidaria de todo seu acervo e não venderia nada. Ele ficou emocionado e me disse: Preciso, então, lhe ensinar muita coisa", lembra Raphael. A promessa talvez fosse o alento que Menten precisava, vindo a falecer um mês depois. Desde então, o neto mudou-se para Londrina e dedica-se totalmente à preservação de todo material de forma independente.

No local, onde Menten trabalhou até pouco tempo antes de voltar a São Paulo para tratamento médico, sua companheira por mais de três décadas, a também artista plástica Dolores Branco iniciou um trabalho minucioso de catalogação das obras com auxílio de estagiários do curso de História da UEL (Universidade Estadual de Londrina). Além da grande quantidade de trabalhos realizados, são milhares de coleções de livros, ferramentas de trabalho, matrizes de obras, mais de cem pedras, cartas, fotografias e manuscritos, além de objetos pessoais. "É um patrimônio histórico fantástico." O próximo desafio do neto é reativar o ateliê com cursos para difundir as técnicas que o artista utilizava e, posteriormente, a criação do tão sonhado Instituto Paulo Menten. "Faz parte da construção de identidade e valorização do artista."



Parceria sempre no tempo presente
Dolores Branco/ Acervo pessoal
Dolores Branco/ Acervo pessoal - Dolores Branco:
Dolores Branco: "Paulo era artista 24 horas por dia, desenhava em qualquer suporte ao alcance, do guardanapo ao envelope de carta"

Dolores Branco e Paulo Menten conheceram-se em São Caetano do Sul, na década de 70. A admiração pelo trabalho transformou-se em parceria profissional e de vida. Juntos, fizeram uma história em Londrina, onde conquistaram espaço e respeito pela arte que ambos produziram. "Trabalhar com Paulo é muito gratificante. Aprende-se com tranquilidade, pois ele respeita sua maneira de sentir, propicia que cada um tenha sua identidade, ao mesmo tempo em que instiga. A arte é uma forma de registrar suas emoções e sentimentos. Por isso, não é ensinada, mas, sim, as técnicas para que a pessoa busque soluções e formas de expressão para seu trabalho", diz ela sobre o companheiro, sempre no tempo presente.

Dos mais de trinta anos em que viveram juntos, foram muitas exposições, viagens e parcerias ao longo do tempo. "Paulo era artista 24 horas por dia. Desenhava em qualquer suporte que estava ao alcance, do guardanapo ao envelope de carta. Fui muito feliz ao lado dele e aprendi muito." E quando ele deixou seu trabalho como bancário para seguir a carreira artística, na década de 60, defendia seus ideais como ideologia de vida. "Artistas são muito convictos. Paulo era desligado da questão financeira, não gostava de vender trabalhos. Numa relação, há de se fazer concessões. Tive que aceitar essa maneira dele viver a vida."

Então, ninguém melhor que Dolores - que vivenciou tudo e acompanhou o artista de perto - sabia da importância das obras e do ateliê para Paulo. E, pouco tempo antes de morrer, as condições precárias em que estava o espaço era preocupação permanente. "Cuidei da melhor forma do acervo por acreditar que era muito importante não só para ele, mas por tudo que estava ali. Ele está presente em cada fragmento daquele ateliê, suas emoções estão em cada obra. E era preciso preservar. Fiz tudo por amor, por amor ao Paulo. Os últimos anos foram muito difíceis quando tive de ficar separada dele, mas a vida nos coloca em conflitos. Agora que o neto está cuidando, meu coração está em paz", desabafa ela, que hoje vive em Santos e cuida da saúde.

Paulo Menten possui coleções permanentes em importantes locais como Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea do Paraná e Pinacoteca de São Paulo, Itamaraty, e outros países como Fairleigh Dickson University Printcoll, em Nova Iorque, e Biblioteca Lênin, em Moscou. Além disso participou de duas Exposições Bienais Internacionais de São Paulo: a IX Bienal de São Paulo em 1967 e a X Bienal de São Paulo em 1969 e recebeu diversos prêmios. (M.T.)
Marian Trigueiros
Reportagem Local
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