Imagem ilustrativa da imagem Contrato em pauta
| Foto: Fotos: Gustavo Carneiro


Claudio Canuto volta a presidência do Londrina a partir de hoje. Primeiro presidente da era SM Sports (2011-2013), o dirigente será empossado oficialmente na noite desta segunda-feira (19). Com mandato até 2019 – penúltimo ano de validade do atual contrato de gestão do futebol – a nova diretoria será responsável pela discussão que vai determinar a continuidade ou não de Sérgio Malucelli à frente do futebol alviceleste. "Acho que não devemos mexer no que está dando certo", afirmou Canuto à FOLHA.
O novo comandante ainda comentou que o clube vai assumir o programa de sócio torcedor, dará prosseguimento ao projeto para a construção de um Centro de Treinamento (CT) para base e de uma nova sede para o clube. Canuto também garantiu que finalmente o Londrina terá uma loja oficial, com produtos licenciados e registrados. "Já passou da hora do clube ter um loja própria". Confira a entrevista completa.

Quais são os grandes desafios para o ano que vem?
Manter o Londrina na atual realidade. Lembrar que em 2011 não tínhamos nem credibilidade e ver tudo o que temos hoje, aquilo que já foi pago, recuperado, o VGD por 20 anos. Os planos são grandes, mas dependemos muito ainda do futebol. Acho que vamos entrar, definitivamente, juntos com a SM no projeto do sócio torcedor. Não dá para deixar da forma como foi feito. Fizemos uma reunião para tratar do andamento do projeto. Quero levar para dentro do VGD, embaixo dos nossos olhos e ter todo dia uma pessoa exclusiva falando do sócio torcedor. Eu acredito no sócio torcedor. Neste ano que passou aprendemos muita coisa, o LEC está no caminho e acho que vamos conseguir subir para a Série A no ano que vem, o que trará mais vantagens ao clube.

O contrato com a SM Sports vence em 2020. A sua gestão vai até 2019. A discussão da renovação da parceria é uma das prioridades do seu mandato?
Quando o Felipe Prochet venceu a eleição para vereador, o Sérgio (Malucelli) me ligou para assumir de novo a presidência e prometeu que se eu voltasse ele assumiria por mais dez anos o futebol do clube. Está apalavrado isso. Agora nós precisamos formalizar, trazer isso para a diretoria, ver o que nos podemos melhorar nesta nova parceria e escrever algumas coisas a mais que nós aprendemos neste tempo todo. Mas, eu acredito que para o Londrina também é interessante já que renovar por mais dez anos uma coisa que deu certo, vai permitir fôlego ao clube e um planejamento mais longo para devolver ao torcedor aquilo que ele tinha.

Você acredita que a renovação não sofrerá resistência por parte do Conselho de Representantes?
No Conselho ninguém fala da possibilidade de romper após o término do contrato. Até porque não temos condições de tocar o Londrina e fazer o investimento que o Sérgio faz. Não falo só de dinheiro, mas de tempo exclusivo para o futebol com gente em condições de tocar como ele toca, com conhecimento. Ele está totalmente estabelecido em Londrina e acho que não devemos mexer no que está dando certo. O Londrina já tirou grandes vantagens da parceria, conseguiu colocar sua vida financeira em ordem e acredito que não tem porque mexer. Vai ser unânime a decisão de renovar.

O contrato deve ter alguns ajustes, sobretudo na questão da divisão dos valores entre o clube e a parceira?
Neste ajuste que fizemos este ano e que é valido até o fim do ano que vem, devido a crise financeira, nós reduzimos para 10% o percentual de repasse ao clube, que era 20%. Mas, elevamos a questão da venda de jogadores de 5% para 9%. Eu acho que a gente tem condições de caminhar no ajuste de alguns pontos, pois o LEC está apoiando o futebol, com a categoria Sub-17 e as escolinhas. O Londrina então participa na formação destes atletas e eu acredito que podemos melhorar neste percentual porque estamos participando também da capitação destes jogadores. Vai ser um bom período de discussão para ouvir os dois lados. Eu acredito que a intenção é definir a renovação ainda em 2017 e não esperar. De repente com o Londrina chegando à Série A estes ajustes já podem valer a partir de 2018.

Em que situação está a construção da sede e do CT para as categorias de base?
Existe um pedido de um terreno junto à prefeitura (no distrito de São Luiz), que foi feito pelo Felipe (Prochet) e que a gente acredita que possa evoluir e nós precisamos ter um planejamento para isso também. Construir a nova sede do Londrina, quanto mais tempo tivermos nesta parceria, melhor. Não fazer da forma que foi feita da outra vez. Aprender que nós precisamos de um clube que se sustente. Outros clubes da cidade foram morrendo. Precisamos de algo diferente. O torcedor precisa entender isso, que é bom ter o clube. Mas, necessitamos de um planejamento mais seguro para não repetir os erros, que levou o clube a leiloar a sede antiga.

Muita gente reclama que o Londrina ganha pouco com seus produtos oficiais. Isso vai se tornar uma realidade?
Loja já passou da hora de ter. O clube está recuperado e vai se tornar não só de abrangência nacional, como internacional. Daqui a pouco podemos estar no mesmo patamar da Chapecoense, disputando uma competição e nós precisamos nos preparar para isso. É algo que vai acontecer e em curto prazo. O Londrina precisa ter uma loja oficial com seus produtos. Já existe um trabalho sendo feito de alguns produtos registrados, que estão sendo licenciados. As camisas hoje todas são. Isso precisa se fortalecer e o LEC precisa ter sua loja. Onde ter? Se vai ter sozinho ou não? Precisa agora entrar em discussão. Uma loja no VGD, atrelada ao memorial? Eu acho que é viável, porém, me preocupo com segurança naquela região. Mas, é algo que a gente precisa estar discutindo ali ou em um centro comercial.

O clube firmou algumas parcerias com outras modalidades nos últimos anos. Você é a favor da continuidade?
Eu sempre penso o seguinte: hoje a nossa maior capitação é o futebol. Acho que o Londrina precisa estar próximo aos projetos do futebol, ajudando. Não só arrecadando daquilo que vai ser feito. Eu não participei de nenhuma das negociações, mas é algo que eu vou olhar com mais cuidado e as bases em que foram feitas. O que o Londrina pode tirar disso? Sinceramente eu não sou a favor do clube estar totalmente recuperado, emprestando seu nome e não levando nenhuma vantagem financeira. Eu não sou a favor e já deixei isso bem claro dentro do Conselho. Outra coisa que também não sou a favor é o Londrina não ter algumas garantias e ficar exposto a situações que amanhã ou depois possa estar respondendo a processos. Temos uma equipe de advogados e vamos pedir um parecer e ver as bases, onde, em quanto o Londrina participou, quanto gastou, quanto o clube tem em caixa para investir. Eu gosto de fazer as coisas com muita responsabilidade e planejamento. Acho possível continuar, mas precisamos analisar as bases para que o Londrina não corra o risco de ser penalizado.

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