Títulos do Tesouro em alta
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quinta-feira, 06 de outubro de 2016
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 


Até o ano passado, a juíza londrinense Thaís Macorin Carramaschi De Martin só investia na caderneta de poupança. Sem muitos conhecimentos de finanças e sem tempo de correr atrás das informações, ela resolveu contratar uma planejadora financeira para ajuda a família a cuidar melhor do dinheiro.
Hoje, a juíza abandonou a poupança e é uma dos mais de 885 mil brasileiros com cadastros ativos no Tesouro Direto. A maior parte dos investimentos dela agora se concentra em títulos do governo federal. "Já deu para perceber que a diferença da rentabilidade entre o Tesouro e a poupança é gritante", afirma.
Thaís ainda investe algum dinheiro em fundos, mas encontrou nos títulos públicos a rentabilidade e a segurança que deseja. "Não vou investir em Bolsa porque não tenho perfil para isso. Meu perfil é conservador. Não quero correr risco e gosto de ter liquidez", justifica.
Planejadora financeira do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF), Juliana Sitta Queiroz calculou para a reportagem a diferença da rentabilidade entre Tesouro e poupança (ver quadro). Mesmo tendo isenção de Imposto de Renda (IR) ao contrário dos títulos públicos, a caderneta de poupança hoje se mostra menos atraente. Se deixar R$ 10 mil no Tesouro Selic, o mais conservador dos títulos, a pessoa terá R$ 12.335 ao final de 24 meses, já descontando o IR. Na poupança, seriam apenas R$ 11.669, diferença de R$ 666 a favor do Tesouro Direto.
"As pessoas ficam muito apegadas à poupança porque acham que só ela é segura. Mas hoje a poupança perde para a inflação", avisa. A rentabilidade da aplicação é TR mais 6%. "Deixar dinheiro na poupança é perder dinheiro."
De acordo com Juliana, os títulos públicos são uma excelente opção. "O risco é mínimo. É o menor do mercado", afirma. Ela ressalta que, ao contrário dos títulos privados, os públicos oferecem a mesma rentabilidade para todo tipo de investidor. "Nos privados, para conseguir as melhores taxas têm de aplicar valores mais altos."
Outra entusiasta do Tesouro Direto é a professora de finanças da BM&FBovespa e consultora da BSG DuoPrata, de São Paulo, Betty Grobman. "Em primeiro lugar, porque é muito democrático. Com R$ 30 a pessoa já pode investir. Em segundo, é o investimento mais seguro. Depois, porque tem taxas muito boas", enumera.
Segundo ela, como em qualquer produto, a escolha dentro dos diferentes títulos (ver quadro) deve ocorrer de acordo com o perfil de cada investidor. "Depende se a pessoa é mais ou menos conservadora, se precisa de liquidez imediata, se tem grau de tolerância a risco. O mais conservador dos títulos é o Tesouro Selic", ressalta. Mas o ideal, segundo ela, é não "colocar todos os ovos na mesma cesta". "Você pode diversificar entre os próprios título", aconselha.
Betty lembra que os títulos públicos não são uma aplicação querida pelos bancos. "No Tesouro, as corretoras dos bancos só ganham a taxa de administração", destaca. Por isso, o aconselhamento dos gerentes sobre os melhores investimentos deve ser tratado com cautela.
Para investir no Tesouro, é sempre necessário abrir uma conta em corretora, seja ela pertencente a um determinado banco ou independente. Isso pode ser feito pela internet. A professora sugere que os investidores façam pesquisa da taxa de administração cobrada por elas, que variam de 0% a 2%. "Todas oferecem o mesmo nível de segurança. Não é a corretora que garante o investimento", conta. O investidor do Tesouro também pagará uma taxa de custódia à BM&FBovespa, que intermedeia a operação, de 0,3%.



