Pela metade do preço, irmãs e sócias Gisela e Fátima Batista conseguiram alugar prédio com o dobro de espaço físico e de vagas de estacionamento
Pela metade do preço, irmãs e sócias Gisela e Fátima Batista conseguiram alugar prédio com o dobro de espaço físico e de vagas de estacionamento | Foto: Fotos: Gustavo Carneiro



Um velho ditado da cultura popular afirma que, enquanto alguns choram, outros vendem lenços. Pois é no momento de crise que comerciantes de Londrina aproveitam para investir em seus estabelecimentos, procurando imóveis mais adequados a preços melhores.

O presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Londrina e Região (Sincil), Marco Bacarin, afirma que o valor do aluguel representa de 20% a 30% dos custos de um estabelecimento comercial. O percentual pode aumentar no caso de shoppings centers, onde há ainda outras taxas, ou em áreas supervalorizadas.

O administrador de empresas Marcelo Garcia e seu sócio, o médico veterinário Rafael Borges, viram na necessidade de reformar o pet shop uma oportunidade para encontrar um imóvel maior. Passaram de um estabelecimento de cerca de 80 m² para outro cinco vezes maior, a um preço 25% mais alto.

Os dois imóveis ficam na Avenida Higienópolis, em Londrina, a 30 metros de distância um do outro. Entretanto, o estabelecimento antigo já exigia investimentos para adequações às normas exigidas pelo poder público, para ampliar o leque de produtos e serviços e até a apresentação para os clientes.

O investimento na loja antiga, onde permaneceram por três anos, já era previsto desde o ano passado, mas, com a economia em recesso, os sócios decidiram esperar. Foi quando consideraram que, além do investimento em infraestrutura, seria interessante buscar, também, outro imóvel mais adequado.

Garcia afirma que os gastos que teriam com piso, teto e móveis, entre outros, seria alto e, ainda assim, continuariam com o espaço limitado. "Pensamos que poderíamos fazer esses investimentos em outro local com mais espaço físico", diz.

Foi o que fizeram. Apesar de conseguir abater mais de R$ 1 mil na mensalidade de locação, Garcia afirma que não é o valor que esperavam, mas, ainda assim, avalia que não conseguiria as mesmas condições se fosse em um período de mais fomento da economia. "O proprietário cedeu no que pode, e a gente, também. Além do abatimento, ainda conseguimos dois meses de carência, o que permitiu adequar as novas instalações enquanto ainda ocupávamos o antigo", conta.

Com mais espaço, Garcia diz que pode ampliar o atendimento veterinário ou trabalhar com redistribuição de marcas, por exemplo.

A necessidade de mais vagas para estacionamento no novo endereço fez com que as irmãs e sócias Gisela e Fátima Batista locassem uma área de 800 m² ao lado do novo endereço da loja de festas Festella, na Rua Cuiabá, em Londrina. Somente o espaço para carros é maior que a loja anterior, na Avenida Leste-Oeste, cujo prédio tinha 600 m². O estacionamento atende o novo estabelecimento alojado em prédio de 1,2 mil m².

Segundo Gisela, a mudança já era planejada há anos e o prédio próprio levou cerca de cinco anos para ser concluído. "Já contávamos que a rua seria só nossa, principalmente no fim de semana, mas, mesmo durante a semana, teríamos mais locais para estacionar do que na Leste-Oeste. Mesmo assim, a prefeitura passou a exigir estacionamento próprio, nem que fosse em outro imóvel", conta.

Porém, se os custos de aluguel chegavam a R$ 7 mil no endereço antigo, a empresa agora empenha R$ 3,5 mil em um espaço muito maior, com mais comodidade para os clientes – no estabelecimento anterior, as sete vagas eram divididas com outras lojas ao lado. No novo endereço, além das 15 vagas, há espaço nas ruas frequentemente. Gisela afirma que o valor do aluguel foi negociado, mas, ainda assim, não chegou no preço que ela pretendia. "Acabamos ficando aqui pela comodidade e tem um espaço que poderemos usar para exposições em datas especiais", afirma.

MELHOR PARA COMPRA

O diretor do Sindicato da Habitação e Condomínios (Secovi-Londrina), Marcos Moura, afirma que o valor dos imóveis se adequa ao momento. "Em períodos de euforia, o poder de escolha é menor. Com o desaquecimento geral, é possível escolher melhor e a maioria dos compradores ou locatários têm mais oportunidades de fazerem propostas", afirma.

Como exemplo, ele cita um imóvel na Avenida Castelo Branco, próximo à Universidade Estadual de Londrina (UEL), cuja oferta de mercado era R$ 390 mil e acabou vendido por R$ 50 mil a menos; outro na Avenida Leste-Oeste, com preço inicial de R$ 430 mil e que foi fechado por R$ 350 mil; e um terceiro na Avenida Bandeirantes, próximo ao hotel dos médicos, com 250 m², que vale R$ 780 mil, mas está prestes a ter a transação concluída com R$ 100 mil abaixo do inicial. "A melhor compra de imóvel não é na alta procura, mas na média para baixa, então, estamos em um grande momento para isso", diz Moura.

Marcelo Garcia e Rafael Borges passaram de um estabelecimento de cerca de 80 m² para outro cinco vezes maior, a um preço 25% mais alto
Marcelo Garcia e Rafael Borges passaram de um estabelecimento de cerca de 80 m² para outro cinco vezes maior, a um preço 25% mais alto
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