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Economia
17/07/2017

Imobiliárias são o setor que mais cresceu em Londrina

Segundo o IBGE essas empresas passaram de 348 para 720, de 2010 para 2015

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Fábio Alcover
Fábio Alcover - Para a imobiliarista Márcia Borges, prestar um bom atendimento é o melhor caminho para manter o negócio
Para a imobiliarista Márcia Borges, prestar um bom atendimento é o melhor caminho para manter o negócio

As imobiliárias são as empresas que mais proliferaram em Londrina no período de 2010 a 2015. Eram 348 no início do período e passaram a 720 - aumento de 107%. Em segundo lugar, vêm as empresas de serviços especializados para construção, cujo número foi de 488 para 836 - 71% de crescimento no período. Também estão entre as líderes do ranking as de atividades de atenção à saúde humana, que aumentaram de 583 para 962 (65%). Os números fazem parte do Cadastro Central de Empresas (Cempre), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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Na outra ponta, as indústrias de confecção de artigos do vestuário e acessórios estão entre as que mais fecharam as portas no período. Eram 463 e chegaram a 355 (-23%). Ou seja, segundo o IBGE, Londrina perdeu 108 indústrias deste segmento de 2010 para 2015. Outras que encolheram foram as indústrias de produtos alimentícios (caíram 22%, de 323 para 250).

Para a imobiliarista Márcia Borges, que abriu a ZBM Imóveis em 2010, a facilidade para entrar neste ramo explica a expansão. "Hoje, o que mais tem nos cursos do Creci são aposentados. Depois de obterem o registro, eles abrem microempresas e pegam os imóveis dos familiares e amigos para vender", afirma. Para entrar na atividade, é necessária a licença do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci).

Outra explicação, segundo ela, é que os custos para se abrir uma pequena imobiliária são pequenos. "É praticamente a despesa do telefone. Eu tenho sala e funcionários porque, além de vender e locar, também administro", conta.

Permanecer no setor, no entanto, não é tão fácil na visão da corretora. "Você tem de construir uma grande rede de relações. E se não prestar um bom atendimento, é difícil manter o negócio", alega.

Antes de abrir a empresa com o filho e uma amiga, Márcia havia trabalhado 15 anos em duas das maiores imobiliárias da cidade. E não se arrepende. "Nunca precisamos tirar dinheiro do bolso para cobrir custos da empresa. A imobiliária se sustentou e sustentou os três sócios desde o início. De dois anos para cá, ficou melhor."

Há 45 anos neste mercado, o imobiliarista Raul Fulgêncio vê a expansão das imobiliárias como natural. "Toda vez que há uma melhora sensível na atividade, as pessoas acabam se interessando pelo setor. E nunca houve um período tão longo de crescimento do mercado imobiliário", afirma ele em referência aos anos anteriores à crise econômica.

Ele concorda com Márcia Borges quanto à facilidade de ingresso no setor. "Não é difícil entrar. Só é preciso fazer o curso do Creci", ressalta. "Além disso, as pessoas também veem que se trata de uma atividade que rentabiliza bem e oferece flexibilidade de horários", complementa.

Mesmo assim, para o empresário, os números do IBGE estão inflados. Ele acredita que boa parte das empresas estão inativas. "Já houve uma debandada do setor", conta.

Já o presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Vestuário do Paraná (Sivepar), Alexandre Graciano de Oliveira, acredita que o IBGE está certo quando aponta o fechamento de 108 indústrias do setor. "São vários os motivos que levaram ao fechamento dessas empresas. O principal é que os nossos preços não acompanharam a alta da mão de obra e de outros custos como da energia elétrica", destaca. "Os produtos estrangeiros entram no País sem barreiras. Hoje, competimos com a China dentro do Brasil", justifica.

E não são só as roupas chinesas que invadem o território nacional. Turquia e Paquistão, segundo Oliveira, são outros grandes concorrentes das fábricas brasileiras.

A crise interna, de acordo com Oliveira, é outro fator que colaborou para o fechamento das indústrias, devido à queda na renda das famílias. A única notícia favorável para o setor foi a apreciação do câmbio. "O dólar alto inibe um pouco a entrada de produtos de fora."



CONSTRUÇÃO

Segundo o presidente do Sindicato da Construção Civil, Rodrigo Zacaria, o Brasil viveu um boom artificial do setor a partir de 2008. Para proteger a economia da crise financeira internacional, o governo brasileiro injetou muito dinheiro na construção civil. É isso que explica, segundo ele, o grande crescimento das empresas de serviços especializados para construção.

Acontece que, conforme ressalta Zacaria, a expansão mostrou-se "irreal", "não sustentável". O próximo levantamento do IBGE deverá apresentar, segundo o presidente do Sinduscon, uma grande redução nesse número de empresas (836, em 2015). "Muitas já deviam estar em recuperação judicial, mas a pesquisa não observa isso."
Nelson Bortolin
Reportagem Local
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