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Economia

Cenário de juros baixos traz dúvidas sobre investimentos

Especialistas dão conselhos sobre o que fazer com o dinheiro no momento em que a Selic caminha para 8,5% ao ano

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Na última quinta-feira (12), o Conselho de Política Monetária (Copom) baixou a taxa básica de juros, a Selic, de 12,25% para 11,25% ao ano. A expectativa é que ela chegue a 8,5% ao final de 2017 e se mantenha neste patamar em 2018. Junto com trajetória acelerada da queda da Selic, surgem as dúvidas dos brasileiros sobre a necessidade de mudar seus investimentos em busca de melhor rentabilidade.
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No mercado, há opções de produtos para todos os perfis de investidores, que vão bem além da tradicional caderneta de poupança. Para Mikael Fontes, educador financeiro e CEO do ABC do Investidor, mesmo o mais conservador dos brasileiros deve buscar alternativas à poupança. "Vai ser difícil encontrar uma opção que renda menos que ela", justifica.

Fontes é um defensor do Tesouro Direto. Segundo ele, exitem títulos do governo para todos os gostos. "Quem precisa de liquidez deve investir no Tesouro Selic. Quem investe a longo prazo deve buscar o Tesouro Inflação (NTN-B)", exemplifica. Pessoas com perfis mais agressivos podem apostar em títulos de longo prazo para resgatar na hora que o governo estiver pagando mais por eles. "O risco é precisar do dinheiro e ter de resgatar o título num momento em que a rentabilidade estiver menor", afirma.

O educador financeiro lembra que é possível fazer investimentos no Tesouro a partir de R$ 30. "Há opções pós e pré fixadas. Trata-se de um investimento ainda mais seguro que a poupança", alega. Ele ressalta que, em caso de falência da instituição financeira, o correntista da poupança tem um limite de reembolso de R$ 250 mil, o que não ocorre com os títulos públicos. Para Fontes, falta informação para os pequenos poupadores investirem em Tesouro Direto, . "Os grandes sempre têm títulos públicos em suas carteiras", conta.

PRÉ-FIXADOS
Segundo o idealizador do App Renda Fixa, Francis Suenaga Wagner, os títulos pré-fixados vêm ganhando espaço com a queda da Selic. Ele conta que houve um aumento de 20% na procura por este tipo de investimento no aplicativo. "Pelas nossas projeções, o retorno anual do pré-fixado em 2017 poderá ser superior em 2,6 pontos percentuais", alega.

De acordo com Wagner, quem apostou na queda da taxa básica e comprou títulos pré-fixados quando ela estava em 14,25%, em setembro do ano passado, ganhou muito dinheiro. Naquela época, era possível travar uma taxa de 18%. "Quem se atentou para isso lá atrás está tendo uma rentabilidade muito boa", afirma. Como a expectativa é que a Selic caia ainda 2,75 pontos porcentuais, os pré-fixados continuam sendo boa opção. "Hoje ainda você pode travar uma taxa de 12%."

No aplicativo idealizado por Wagner, é possível consultar as taxas de 17 instituições financeiras para várias tipos de aplicações de renda fixa.

RENDA VARIÁVEL
Roberto Indech, analista chefe da Corretora Rico, considera alguns cenários de investimentos. "Para o investidor conservador, a indicação é sempre o Tesouro Selic, que performa acima da poupança e tem liquidez diária." Para quem é menos conservador e "pensa em médio e longo prazos", a dica são os fundos multimercados. Mas aí é preciso confiar no gestor que decide como investir os recursos.

Os mais agressivos devem buscar o mercado de ações como alternativa. "Com a perspectiva da queda da Selic, teremos ativos bem interessantes na Bolsa", alega. Indech chama atenção, no entanto, para o fato de que a taxa de juros não vai se manter estável se não forem feitas as "reformas estruturantes" no País, principalmente a Previdenciária. "Para a Selic continuar baixa, é preciso ajustar as contas públicas", ressalta.

Estrategista da Guide Investimento, Luís Gustavo Pereira explica que há uma correlação inversa e forte entre a Selic e o Ibovespa. "Com a queda dos juros, a tendência é de a Bolsa subir. A queda de juros impacta positivamente no valuation das companhias, traz um fluxo de caixa melhor para elas", justifica. Mas, do mesmo jeito que Indech, não acredita numa grande transferência de investimentos para a renda variável se o governo não conseguir aprovar as reformas. "Uma maior migração de investidores para a Bolsa depende de questões políticas. O Brasil tem um problema fiscal muito grave e precisa de reformas estruturais."

Roberto Vertamatti, que é conselheiro da Associação Nacional de Executivos de Finanças,
Administração e Contabilidade (Anefac), é outro que não vê migração "expressiva" para a renda variável. Ele conta que apenas 8% dos investimentos dos brasileiros estão na Bolsa. E que em países com estabilidade econômica de longo prazo, como Estados Unidos e Austrália, esse porcentual chega a 40%. "Não basta termos juros baixos, precisamos de um ciclo de estabilidade de longo prazo (para que a Bolsa ganhe maior importância)."

Mesmo assim, Vertamatti acredita que a Bolsa tende a ter mais atratividade no cenário de baixa de juros. "Hoje a remuneração média da renda fixa é de 8%. Se a Selic chegar a 8,5% essa remuneração deve descer para 7%, 8%. É possível que parte dessas aplicações acabem indo para renda variável", afirma.

CAUTELA
A planejadora financeira certificada pela Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar), Juliana Sitta Queiroz, não se afoba com a queda da Selic. Para ela, o fato tem pouca influência do ponto de vista do planejamento financeiro de longo prazo. "Haverá muitas altas e baixas da Selic nos próximos 10, 20 anos", acredita. O importante é investidor entender e manter investimentos de acordo com seu perfil. "Não é porque a Selic caiu que a pessoa vai investir na Bolsa. Se não tiver perfil para renda variável, não vai", ressalta.

Ela salienta que a taxa só cai porque a inflação está caindo. "O importante é o investidor estar de olho no ganho real", aconselha.


Nelson Bortolin
Reportagem Local
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