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Folha 2
15/06/2017

Múmia na era Trump

Filme até começa com uma pegada esperta, mas depois passa a ser um produto que só alcança níveis mínimos de entretenimento

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"A Múmia": um roteiro sem imaginação, plagiário e só preocupado em combinar terror, ação e suspense


Um rápido mergulho no tempo. Oito décadas, para ser mais preciso. Os Estados Unidos vivem, no bolso e na alma, as angústias da gigantesca crise econômica de 1929. Uma crise na superprodução capitalista – excesso de produção versus escassez de consumo – surge com consequência desastrosa: a quebra (o famoso "crack") da bolsa de valores de Nova York, o grande termômetro do sistema. As ações das grandes empresas despencam vertiginosamente em apenas algumas horas do dia 29 de outubro, provocando comoção social sem precedentes. Com hiper doses de incerteza. O medo-pânico, a atormentar a população. Neste momento, a Universal Pictures percebe que a comoção pode render um caldo para a produção de filmes sobre as coisas que mais distúrbios emocionais causam no grande publico.
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Surge o primeiro grande momento do cinema de terror. "Drácula" (Tod Browning, 31) e "Frankenstein" (James Whale, 31) formam a comissão de frente. No ano seguinte, outro marco do estúdio: "A Múmia", do alemão (naturalizado americano) Karl Freund, reconhecidamente um gigante, especialmente na arte da fotografia – sua influência com a câmera expressionista é caso de estudo permanente e profundo. (Embora de outro estúdio, a RKO Radio, o "King Kong" de 1933 também formaliza o terror daquele período.) Estas quatro criaturas de ficção foram de grande valia para guiar as massas espectadoras rumo à luz no fim do túnel de seus maiores temores, de suas representações imaginárias do medo. Aglomerado na sala escura, o público dava vazão à sua insegurança, e por momentos esquecia do terror materializado lá fora. O medo diante da tela terminava sendo um anestésico, um paliativo para a crise nas ruas, nas casas, nas fábricas. Fim do mergulho.
De volta a 2017. Com Donald Trump mal segurando as rédeas dos EUA, filmes como este "A Múmia", em exibição na cidade, deveriam funcionar mais ou menos da mesma maneira. Isto é, do ponto de vista sociológico e político, deveriam ter a mesma função: esta é uma ficção de terror legítima, vamos esquecer o absurdo destas fanfarronices do reality show, vamos celebrar a volta deste ícone do sobrenatural arqueológico, mas vitimado pela síndrome digital, que subtraiu a essência pensante (e divertida e romantizada) da criatividade, o que temos é um roteiro sem imaginação, plagiário e só preocupado em combinar terror, ação e suspense. Mas a cada momento o que se vê são remendos (é típico roteiro Frankenstein, escrito por um grupo de seis pessoas, mas que não consegue adquirir vida...), e nenhum dos três aspectos funciona, apesar de que o filme é muito mais simples do que parece à primeira vista, levando em conta as ambiciosas aspirações de seus produtores – é um blockbuster de 125 milhões de dólares. Esta textura leve-quase leviana afeta especialmente o personagem de Tom Cruise, um dos mais apagados e confusos em toda sua carreira. Apesar disso, a insistência sobre o personagem dele quase consegue eclipsar o melhor atributo do filme: a legítima grande presença, essa múmia feminina que a ótima Sofia Boutella soube dotar de energia e sem sensualidade.
O filme até que começa com uma pegada esperta, mesmo que flerte descaradamente com o figurino de Indiana Jones; mas após a queda do avião passa a ser um produto que só alcança níveis mínimos de entretenimento. O certo é que estamos diante de uma aposta tão artificial quanto indigesta, que jamais encontra o tom adequado e que confunde bom ritmo com colagem de cenas artificiosas, afetadas. Alguns lamentos devem ser relacionados: a falsa e inútil tentativa de química entre Cruise e a arqueóloga, tratando de extrair de qualquer modo a relação de amor e ódio que às vezes dá certo na tela; a série infindável de citações e referências, a maioria óbvias, a ideias e recursos que o cinema testou antes, como desfile de bichos rastejantes, pássaros hitchcockianos, exércitos de zumbis, etc, etc; e o mais desolador, ver um Russell Crowe em papel mais absurdo e mais equivocado para seu perfil, esse Dr. Jekyll monstro que combate monstros. Como nem o filme sabe bem o que fazer com ele, resta esperar pelo futuro do tal anunciado Dark Universe, o Universo Obscuro que vai soltar as feras Lobisomem, Homem Invisivel, Frankenstein e quem mais sair da tumba em busca de gordas bilheterias.
Por Carlos Eduardo Lourenço Jorge
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