Edna Mendes
De Cornélio Procópio
A Câmara de Vereadores de Cornélio Procópio começa a votar hoje um projeto de lei que pretende obrigar os médicos que atendem nos postos de saúde a datilografar as receitas. O projeto, de autoria do vereador Silvio Cunha (PMDB), tem objetivo de evitar erros na compra de medicamentos por causa da letra ‘‘ilegível’’ de muitos médicos.
Cunha disse que ouviu muitas reclamações de pacientes com dificuldades para identificar o medicamento receitado. ‘‘As pessoas podem até estar tomando remédio errado, porque simplesmente não entendem o que o médico escreveu’’, disse. O vereador também justificou que o projeto deve facilitar o trabalho dos atendentes de farmácias e farmacêuticos. ‘‘Esses profissionais enfrentam dificuldades para decifrar o que o médico escreveu. Para não errar, eles são obrigados a investigar a doença do paciente’’, explicou.
O projeto de Cunha encontra resistência dos vereadores Reinaldo Carazzai Filho, Fernando Repinaldo e Jader Correia, que são médicos. Eles afirmam que existem outras prioridades na área de saúde que precisam ser atendidas com mais urgência. Carazzai Filho considera o projeto ‘‘absurdo’’ e que ele deveria ser direcionado apenas aos médicos que realizam atendimento particular. ‘‘Nos postos de saúde não existe sequer máquinas de escrever. Esse projeto não tem cabimento’’, afirma.
De acordo com ele, são raros os médicos que têm caligrafia de difícil compreensão. ‘‘Eu mesmo passei a escrever com letra de forma para facilitar o entendimento das receitas’’. Carazzai explica que a história de que ‘‘letra de médico ninguém entende’’ se justifica por causa da sobrecarga de matérias durante a faculdade de medicina. ‘‘A gente acabava tendo que escrever muito rápido para poder acompanhar as aulas e, por isso, alguns colegas ficaram com letras ilegíveis’’, acredita.
O vereador Silvio Cunha disse não ver problema em conseguir as máquinas de escrever para equipar os postos de saúde. ‘‘Se for este o problema, eu mesmo faço uma campanha para arrecadar máquinas usadas de empresas que se informatizaram’’, afirma.
A farmacêutica Rossana Mara Sberni disse à Folha que são comuns casos em que precisa telefonar para o médico para saber qual o medicamento prescrito no receituário. ‘‘Algumas vezes aconselhamos o próprio paciente a voltar no posto de saúde para descobrir com o médico o que está escrito na receita. Se as receitas vierem datilografadas não vamos mais precisar decifrar enigmas’’, avaliou.

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