Motoristas fazem greve em Porecatu
Alexandre Sanches
De Londrina
Cerca de 800 funcionários do setor de transporte da Usina Central do Paraná, em Porecatu (85 km ao norte de Londrina), entraram em greve sábado por tempo indeterminado, até que a empresa pague os salários atrasados. A paralisação afetou os setores de produção e corte de cana-de-açúcar, tanto na usina quanto nas fazendas de cana distribuídas em Porecatu e municípios vizinhos.
A greve só não teve maior adesão porque na sexta-feira os cortadores de cana receberam um dos dois salários que estavam atrasados. Havia informações de que os cheques não tinham fundos, mas a agência do Banestado confirmou ontem que os cheques estavam sendo pagos normalmente.
O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina, João Batista da Silva, disse que a greve se iniciou sem o aval do sindicato. Os caminhoneiros tomaram a decisão por conta e pararam as atividades. Agora estamos mediando as negociações entre a categoria e a direção da empresa, comentou.
Ele explicou que, no caso dos caminhoneiros autônomos, os fretes estão atrasados desde a safra de 1998. Ontem, representantes do Sindicato tentaram negociar com a direção, que solicitou uma pauta mínima de reivindicação para que possa apresentar aos proprietários da Usina, a família Athala, do Estado de São Paulo.
Os funcionários estão desesperados, por isso tomaram esta decisão. Tentamos evitar a greve, pois havia comentários que a Usina estava esperando algum pretexto para decretar a falência. Sorte que eles querem negociar, salientou. João Batista da Silva acredita que a alternativa é negociar os salários atrasados, os dias parados e a manutenção dos empregos, com o fim da greve.
O acordo coletivo de trabalho que deveria ter entrado em vigor em maio do ano passado ainda não foi assinado. Os patrões não querem dar nada, só tirar uma série de vantagens do empregado, como trocar as horas extras pelo banco de horas. Acontece que esta categoria é a que mais faz horas extras, ressaltou. A pauta de negociação deve ser apresentada para a empresa ainda esta semana.
O receio do sindicalista é que, no caso de uma falência da usina - que, de acordo com as informações chegadas até o sindicato diziam que ela não está numa situação financeira confortável - a região de Porecatu sofra uma recessão. O comércio local é influenciado pelos empregos da Usina Central.
Ontem à tarde a Folha procurou falar com a direção da Usina Central sobre a greve. A informação é que somente alguns funcionários administrativos estavam trabalhando. Um deles, que trabalha junto à diretoria e preferiu não se identificar, disse que nenhum diretor apareceu ontem. Ele não deu nenhuma informação sobre como encontrar os diretores fora da usina.
A prefeita Neuza Maria Damazo (PTB), que é esposa de um dos diretores, não estava na cidade. O vice-prefeito Vicente Fontanez, que também é diretor da Usina, não foi encontrado na prefeitura, na sua residência, nem na empresa.





